Jovem congelado é ressuscitado com técnica que esquenta sangue

Médicos conseguiram “ressuscitar” um homem congelado.
“Todos os sinais nos levam a acreditar que ele esteja morto há bastante tempo”, disse um paramédico em contato com a polícia.
O drama do estudante de psicologia de 26 anos começara na noite anterior, por volta das 21h30, quando ele voltava a pé de um centro social onde costumava beber com amigos.
Era um caminho de 3 km que ele costumava fazer para evitar beber e dirigir.
Ele não se lembra de ter escorregado e batido a cabeça, mas é o que os médicos acreditam que tenha ocorrido.
Justin caiu de costas em um monte de neve, sem casaco, de olhos abertos e olhando para cima.
Foi como o pai do jovem, o professor Don Smith, o encontrou na manhã seguinte, às 7h30, após alerta de uma amiga do filho que estava preocupada. A temperatura naquela noite chegara a -4ºC.
“Milagre médico”
“Ele estava congelado, como um bloco de concreto. Comecei a chacoalhá-lo e dizer: você não vai me deixar”, diz o pai.
Médicos descreveram o caso de Justin como um “milagre médico”: talvez a única pessoa que tenha sobrevivido a uma hipotermia tão grave.
No setor de emergência do hospital de Lehigh Valley, o jovem foi atendido por uma equipe de 15 pessoas, e passou por duas horas de ressuscitação cardiopulmonar, enquanto seu corpo era reaquecido lentamente.
Em seguida, ele foi levado de helicóptero até um hospital em um voo de 18 minutos, em que paramédicos fizeram 100 compressões cardíacas por minuto, com oxigenações, para manter o fluxo de sangue para o cérebro.
No hospital, Justin foi ressuscitado por meio de um procedimento chamado oxigenação por membrana extracorpórea, em que o sangue é removido, oxigenado e aquecido antes de ser bombeado de volta ao corpo.
A técnica é normalmente usada como último recurso para salvar pacientes com pulmões ou corações comprometidos por infarto ou casos graves de gripe.
Coma
O cirurgião cardiotorácico James Wu, que atendeu Justin, disse que a família deveria se preparar para o pior, pois as chances de sobrevivência do paciente eram de 50%. Contudo, 90 minutos depois, o corpo de Justin estava se aquecendo, e logo o coração já batia sozinho.
Mas o estudante ainda estava em coma, e era mantido vivo com ajuda de aparelhos.
Dias depois, a surpresa: testes mostravam que o cérebro de Justin estava normal.
“Estávamos eufóricos. Acreditamos que era um milagre acontecendo em nossa frente”, disse o neurologista John Castaldo.
Recuperação
O médico, no entanto, suspeitava que Justin pudesse sobreviver em estado vegetativo. Um mês depois, os olhos de Justin começaram a seguir o rosto de Castaldo – era um sinal de recuperação do cérebro.
Justin passou cerca de três meses internado – seus rins e pulmões não funcionavam, e ele teve os dedões do pé e os dedos mínimos das mãos amputados por decorrência de gangrena.
Aos poucos, sua personalidade, memória e atenção foram voltando. Justin teve que reaprender a usar as mãos e a andar.
Após meses de recuperação, já estava jogando golfe e planejando o retorno à universidade.
Nesta semana, Justin voltou ao hospital para agradecer à equipe que salvou sua vida.
“Eu sou apenas muito grato. Sou a prova do que pode acontecer quando grandes pessoas trabalham em conjunto”, disse Justin, ou “homem de gelo”, como foi apelidado pelos amigos.
Com informações da BBC

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