Esta mulher já acabou com 850 casamentos infantis

Você imagina o que é entregar uma criança para se casar aos 12 anos, em troca de dinheiro, para aliviar as despesas da casa?
Essa realidade horrorosa – que é tradição no Malawi e em outros países da África – está sendo duramente combatida por uma mulher, Theresa Kachindamoto, chefe regional no sul do Malawi.
Ela impede esses casamentos usando uma nova lei, de 2015. No ano passado, quando falamos dela aqui no SóNotíciaBoa, Kachindamoto já havia anulado mais de 300 casamentos infantis. Agora esse número subiu para 850, em 3 anos.
Theresa Kachindamoto já é chamada de “a destruidora de casamentos” do país.
As cerimônias envolvem meninas de 12 anos e os seus respetivos maridos, também adolescentes. Eles são preparados nessa idade para práticas sexuais, para “agradar os parceiros”.
De acordo com um relatório das Nações Unidas, mais de metade das pré-adolescentes do Malawi se casa antes de atingir os 18 anos de idade.
Este é o país que conta ainda com uma das maiores taxas de casamentos infantis do mundo, afirma a UNICEF, e é terceiro na lista de países mais pobres do mundo.
A chefe malawiana afirma que a população é avisada dos males a longo prazo que estes casamentos precoces podem provocar nas crianças: abandono escolar, problemas de saúde, gravidez na adolescência. Mas são poucos os que a ouvem.
Em muitas zonas do país, as intervenções nestes casos são ainda muito difíceis, uma vez que as autoridades enfrentam uma forte contestação por parte do povo.
Segundo a UNICEF, uma em cada cinco raparigas no Malawi é vítima de violência sexual. E um em cada sete rapazes sofrem do mesmo.
A maioria dos abusos vem de pessoas próximas da criança: pais, tios, padrastos.
Mudança
Para tentar mudar mentalidades, a chefe regional mudou a lei. Redigiu um decreto para abolir os casamentos precoces, anular os matrimónios já existentes e promete demissão a quem fizer essas barbaridades com a crianças.
A luta tem dado resultado. Nos últimos três anos, Theresa já “rompeu” com mais de 850 casamentos, devolvendo aos estudos todas as crianças envolvidas.
Ela chegou a receber ameaças de morte mas continua determinada na sua luta. “Não me importo”, confessa. “Podemos conversar e até negociar. Mas estas crianças vão voltar à escola”.
Com informações Expresso

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