Advogadas abrem escritório para ajudar mulheres: violência

Marina Ruzz e Ana Paula Bragai – Foto: Marcos Santos/USP ImagensMarina Ruzz e Ana Paula Bragai – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Duas ex-alunas de direito decidiram abrir um escritório de advocacia para atender e acolher mulheres que sofreram, ou sofrem ainda, qualquer tipo de violência.

Ana Paula Braga e Marina Ruzzi, que estudaram na Faculdade de Direito da USP querem fazer a diferença na luta pela igualdade de gênero.

O trabalho das advogadas envolve, principalmente, casos de violência doméstica, violência sexual, direito de família, pensão alimentícia e direito trabalhista.

“As mulheres encontram muita dificuldade para se defender. O direito no Brasil é muito machista, foi criado pelos homens e para os homens. Por mais que pela lei exista igualdade, na prática não vemos isso, e o direito reflete a sociedade. Tentamos de todas as formas encontrar saídas dentro da lei para promover essa igualdade”, explica Ana Paula.

As advogadas afirmam que ainda existe um grande despreparo das autoridades competentes sobre como lidar com a temática da violência contra a mulher.

“Falta às mulheres vitimizadas um bom acolhimento e, em alguns casos, elas ainda são culpabilizadas e questionadas do “porquê estarem no lugar errado”, “o porquê da roupa inadequada”, entre outras justificativas, afirmam.

Demora

A dupla de advogadas lembra o caso de uma cliente que sofreu estupro coletivo por moradores de rua e permaneceu durante cinco horas na delegacia, esperando para ser atendida e poder, finalmente, ir ao hospital.

“Mesmo em delegacias especializadas no atendimento a mulheres o problema ainda é tratado como um fato menor, sem muita importância”, observam.

Outra experiência que mostra o despreparo das autoridades é o caso de uma menina agredida fisicamente pelo pai.

A delegada responsável não sabia que a Lei Maria da Penha poderia ser aplicada em situações de violência familiar e que se tratava apenas de maus tratos. Marina lembra que essa situação muda completamente se a vítima for à delegacia assistida por um advogado.

As advogadas acreditam que o fato de serem mulheres representa um diferencial no atendimento.

“Elas sabem que vamos nos identificar com sua causa, que vamos tratar com a importância devida e termos atitudes propositivas”, explica a dupla.

O escritório

O escritório de advocacia Braga & Ruzzi – Sociedade de Advogadas foi aberto recentemente, mas Marina Ruzzi afirma já se sentir realizada com sua profissão.

Ela relata que nem mesmo queria ser advogada quando começou o curso de Direito.

“Poder trabalhar com advocacia com minha militância feminista está sendo um sonho. Sinto que tudo o que faço é importante, faço a diferença, trabalho todos os dias feliz”, comenta.

Ana Paula Braga também está satisfeita com sua escolha. “Estamos mudando a vida dessas mulheres, dando-lhes esperança. É incrível se sentir útil em um momento tão difícil e doloroso para uma vítima da violência”, declara.

Mapa da Violência, divulgado em 2012, mostra que duas em cada três pessoas atendidas no SUS em consequência de violência doméstica, ou sexual, são mulheres.

Serviço:

Advocacia Braga & Ruzzi

Site: www.bragaruzzi.com.br

E-mail: contato@bragaruzzi.com.br

Com informações do JornalDaUSP

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