Pata-de-vaca e plantas do cerrado: começa estudo medicinal

O poder medicinal das plantas Cerrado, o segundo maior bioma da América do Sul, começou a ser estudado por uma das mais conceituadas universidades brasileiras, a Unesp.
No Brasil, são mais de 11 mil espécies de plantas nativas catalogadas. E o poder de muitas delas ainda é pouco conhecido.
Entre as plantas estudadas está a pata-de-vaca (Bauhinia), uma das que apresentaram os resultados mais significativos ao longo das pesquisas no tratamento da diabetes.
“A ideia foi descobrir as substâncias presentes no extrato de bauhínio. Ao logo do trabalho com outros laboratórios descobrimos que ela melhorava o quadro diabético e fomos identificando as substâncias que eram responsáveis por essa atividade”, diz Leonardo Saldanha, pós-doutorando Unesp.
“A gente observou esse perfil químico dessa espécie em diferentes ambientes: Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas e várias populações de São Paulo. E curiosamente a gente descobriu que essa substância ativa, responsável pela atividade medicinal, é maior aqui da nossa região do cerrado de Bauru”, completou.
A pesquisa
Pesquisadores da Unesp, em Bauru, interior de São Paulo querem desvendar esse potencial do Cerrado.
“Nosso objetivo principal hoje é ver o potencial como fitoterápico para várias doenças”, diz a professora Ane Ligia Dokkeal, que estuda a composição das plantas há pelo menos 17 anos.
Os pesquisadores correm contra o tempo para evitar que as espécies desapareçam no meio de tantas queimadas que atingem a mata todos os anos, principalmente nesta época de seca.
A coleta das espécies está acontecendo dentro da reserva da Unesp.
Diante dos resultados positivos na melhora do quadro crônico do diabetes os pesquisadores decidiram fazer um pedido de patente para assegurar as substâncias encontradas.
Alerta
Mas a professora Anne faz um alerta imporante:
“A gente não pode a partir dessa informação básica passar a ideia de que a gente pode sair por aí procurando essa planta, tomando chá dessa planta, até porque o nome vulgar confunde muito”.
“Pra isso chegar num [remédio] fitoterápico, por exemplo, precisa passar por uma empresa farmacêutica, investir milhões, pra pensar num medicamento”, concluiu.
Com informações da Unesp

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