Aluno cria máquina para pessoas em coma “falarem”: prêmio

Um aluno brasileiro de 18 anos ganhou um prêmio internacional por criar uma máquina para ajudar pessoas em coma ou estado vegetativo a se comunicarem.
Luiz Fernando da Silva Borges foi um dos destaques na Intel International Science and Engineering Fair (Intel Insef) em julho nos EUA, uma das mais respeitadas feiras nas áreas de ciência e tecnologia.
A feira destaca trabalhos desenvolvidos por jovens antes de ingressarem no ensino superior e esta foi a terceira participação de Luiz Fernando.
Coma
O aluno – do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso do Sul – lembra que algumas pessoas em coma não são capazes de movimentar nem os olhos, mas estão conscientes.
Por isso ele decidiu criar o Hermes Braindeck, para ajudar essas pessoas a se comunicarem.
“Propus que criássemos um dispositivo portátil capaz de detectar se a pessoa consegue responder a comando apenas usando seus pensamentos”, disse à Galileu.
O programa de computador consegue guiar os pensamentos da pessoa para que sejam convertidos em palavras, sem o uso da visão.
“Todo o treinamento do programa para reconhecer estes pensamentos é feito automaticamente, e até mesmo a voz dos familiares do paciente pode ser usada no programa”, relata Borges.
O equipamento cabe numa maleta, e seus primeiros testes serão realizados na Santa Casa de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul.
As negociações também já começaram no renomado Hospital Albert Einstein, em São Paulo.
“Questões éticas dignas de obras de ficção científica virão à tona. Pela primeira vez, pessoas acreditadas inconscientes serão capazes de se comunicar com o mundo exterior respondendo perguntas e soletrando palavras.”
Inspiração
A inspiração de Luiz Fernando para criar o projeto foi a bisavó dele, que ficou um mês em coma antes de falecer.
“Minha tia disse que, durante as visitas no hospital, conseguia perceber que ela chorava quando ouvia sua voz”.
Como Luiz Fernando sempre se interessou pela área médica e fez um curso técnico de informática, ele percebeu que muitas ferramentas da robótica poderiam ser empregadas para soluções de problemas da área.
“Em 2013 conheci o campo das interfaces cérebro-máquina, um conjunto de métodos de como podemos extrair sinais elétricos do cérebro, enviá-los para um programa de computador que os decodifica e os transforma em movimentos”, conta.
O ídolo do estudante é o cientista brasileiro Miguel Nicolelis, que usou a tecnologia para fazer com que um paciente paralisado desse o primeiro chute da Copa do Mundo de 2014.
Nível de consciência
Luiz critica a ferramenta dos anos 1970 que mede o nível de consciência de pessoas que sofreram algum tipo de injúria cerebral.
Ele diz que a escala conta apenas com avaliações dos atributos motores dos pacientes, o que é um erro, uma vez que já é sabido que muitas pessoas em coma ou em estado vegetativo são capazes de ouvir e compreender instruções, mas não conseguem mover os músculos.
Além disso, Borges afirma que a forma com que as pesquisas brasileiras são avaliadas é retrógrada.
“O fato de eu ter feito grande parte da pesquisa com 17 e 18 anos é o primeiro problema para a academia brasileira, baseada em um sistema de castas que pontua cientistas pelo volume de suas publicações científicas, e não de sua qualidade. Isto explica o baixo impacto que certos setores da academia brasileira têm no cenário mundial de produtividade”, opina.
Terceira vez
Essa foi a terceira vez que Borges participou da Intel Insef.
Em 2016, levou o Brasil à primeira vitória na categoria de engenharia biomédica e, como um dos prêmios, batizou um asteroide com seu nome, o 33503 Dasilvaborges.
Além do de Borges, mais 20 projetos brasileiros participaram da feira.
Saíram vencedores também dois projetos nas categorias de ciências das plantas (de Maria Eduarda de Almeida, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul) e engenharia ambiental (de Juliana Davoglio Estradioto, da mesma instituição).
Assista ao vídeo onde ele explica o projeto Hermes Braindeck:

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