Formada em Harvard, jovem da periferia de SP quer mudar educação

Tábata Amaral entrou para uma das melhores universidades do mundo, aos 18 anos, com bolsa integral e representou o Brasil em cinco competições internacionais de ciências.
Ela cresceu na periferia de São Paulo, no bairro da Vila Missionária, a cerca de 30 quilômetros do centro.
O pai era cobrador de ônibus e mãe, vendedora. Sem dinheiro, ela tinha tudo pra desistir.
O pai, que lutava contra as drogas, morreu sem ter terminado o ensino fundamental.
O bom desempenho em olimpíadas escolares fez com que a garota ganhasse uma bolsa do colégio particular Etapa, para cursar o ensino médio.
A instituição chegou a pagar um hotel perto da escola para ela morar, uma vez que os pais não tinham condições de arcar com as despesas de transporte e alimentação.
Ao terminar o ensino básico, a jovem deu aula de química e astrofísica no colégio, antes mesmo de entrar na faculdade.
Harvard
Apesar de ter garantido uma vaga no curso de Física na Universidade de São Paulo (USP), Tabata sonhava em estudar fora.
Ela se candidatou então a bolsas de estudo e foi aceita em seis das principais universidades americanas: Harvard, Yale, Columbia, Princeton, Pensilvânia e o Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech).
Tabata Amaral escolheu Harvard. Aos 24 anos, ela é formada em Ciências Sociais e Astrofísica.
Engajada
A joem hoje é cofundadora de dois movimentos nacionais: o Mapa da Educação e o Acredito.
Apesar da origem humilde, ela se recusa a atribuir suas conquistas à meritocracia.
“Por muito tempo, a minha história foi contada quase como uma história de herói, de um exemplo de ‘quem quer, consegue, é só se esforçar’. Mas isso não está certo. De fato, eu me esforcei muito, mas é preciso ter acesso a oportunidades e a crença de que você pode sonhar diferente, sonhar grande”, afirma.
“Mas a gente está em um país onde há muitas desigualdades. Minha crítica não é quanto à meritocracia em si, mas em querer aplicar a meritocracia quando o ponto de partida é desigual”, acrescenta.
Em sua tese de graduação, Tabata estudou a interferência da política na educação no Brasil e visitou sete secretarias de educação municipais. Para ela, essa relação ainda é nociva no Brasil.
“A educação é uma grande moeda de troca nesse país. A gente não teria a pachorra de fazer o que se faz com a pasta da Educação com a Fazenda, por exemplo. A educação precisa ser mais técnica e sofrer menos com a politicagem. A política é um grande empecilho para a educação de qualidade, e ela tem que ser o motor disso”, avalia.
Com informações da BBC

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