Brasileiro cria óculos de holograma e disputa prêmio na Europa

Alex Kipman - Foto: divulgaçãoAlex Kipman - Foto: divulgação

Um brasileiro criador do óculos de holograma foi primeiro finalista do nosso país no Prêmio Inventor Europeu, na categoria de países de fora da Europa.

O engenheiro Alex Kipman, nascido em Curitiba, Paraná, criou óculos de realidade virtual que exibem hologramas.

Filho de diplomata, Kipman fez parte do ensino básico e médio no Brasil, mas cursou engenharia nos Estados Unidos.

Ele mora nos Estados Unidos, mas começou a desenvolver o projeto do HoloLens enquanto trabalhava na filial brasileira da Microsoft.

O Microsoft Hololens – nome comercial dos óculos de realidade virtual – é o primeiro computador holográfico autônomo do mundo que executa Windows 10.

O óculos projeta o conteúdo que está sendo visto pelo usuário no ambiente onde ele está.

A ideia

“Visitei uma faculdade de medicina nos Estados Unidos que começou a usar o HoloLens nas aulas, e o resultado foi fantástico. Em vez de aprenderem anatomia por meio de desenhos e de cadáveres, os alunos aprendem interagindo em tempo real em três dimensões. O conteúdo de meses agora pode ser ensinado em dias”, disse Kipman à AgênciaBrasil.

O brasileiro disse que a Microsoft optou por manter um preço mais alto no HoloLens enquanto melhora o produto. Com o tempo, diz ele, alternativas mais econômicas serão lançadas e se transformarão em uma tecnologia imprescindível para as pessoas.

HoloLens - Foto: divulgação

HoloLens – Foto: divulgação

Uso no Brasil

No Brasil, uma empresa de elevadores passou a usar os óculos de realidade virtual para treinar os técnicos que fazem a manutenção, com acesso a manuais por comandos de voz.

O dispositivo, no entanto, ganhou outras utilidades, como avaliar o desgaste de cada componente e permitir trocas preventivas.

“Antes, os funcionários da empresa tinham que viajar para treinamentos.Hoje o trabalhador pode se teletransportar e consertar o elevador. Cada etapa da cadeia produtiva ficou melhor por causa da realidade virtual”, constatou Kipman.

O legado, no entanto, não se restringe à produtividade. O engenheiro destacou que os óculos de realidade virtual podem ser usados para romper barreiras entre os seres humanos, citando as pessoas com deficiência.

“Da mesma forma que uma pessoa com deficiência pode sentir coisas que não sentiriam e se comunicar de uma maneira em que não se comunicariam, uma pessoa sem deficiência pode sentir na pele a sensação de limitações. Isso cria empatia”.

Disputa internacional

Kipman foi escolhido pela revista “Time” como um dos “25 nerds influentes do ano”.

A invenção de Kipman destacou-se entre 500 inscrições neste ano e foi escolhida para ser um dos 15 concorrentes que disputaram o prêmio do Escritório Europeu de Patentes (EPO, na sigla em inglês), organização internacional com 38 países-membros.

Ao todo, foram cinco categorias (indústria, pesquisa, pequenas e médias empresas, países de fora do EPO e reconhecimento da obra), com três finalistas cada.

A vencedora na categoria de Kipman foi a americana Esther Sans Takeuchi, que inventou as baterias compactas presentes em desfibriladores cardíacos e marca-passos.

Apesar de não ter levado o prêmio, o engenheiro disse que se considera um vencedor por ter o trabalho reconhecido.

“Este não é prêmio para a inovação, mas aos inventores. Eles são heróis do nosso tempo, que trazem soluções para desafios. Criam valor para desenvolverem atividades econômicas, gerarem empregos e mudarem a vida da humanidade”, dissse o Presidente do EPO, o francês Benoît Batistelli à Agência Brasil.

Desafios

Apesar das dificuldades na educação no Brasil, o engenheiro disse acreditar que a determinação e o talento do brasileiro inspiram o desenvolvimento de inovações.

“O povo brasileiro é determinado, apaixonado, empreendedor e criativo. Esses são ingredientes para o sucesso. Todos os países têm obstáculos, mas sou utópico e acredito que as pessoas certas, nos projetos certos, com a atitude certa e no tempo certo sempre mudarão o mundo. O que a sociedade brasileira pode fazer é intervir mais e exigir mais para conseguir um lugar melhor”, declarou.

Com informações da AgênciaBrasil e Exame

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