Vovó Georgina abriga 70 crianças carentes na própria casa

Crianças em férias na creche de Georgina - Foto: Rafaella Fraga/G1Crianças em férias na creche de Georgina - Foto: Rafaella Fraga/G1

Uma senhora de 67 anos se dedica há 20 anos a cuidar de crianças carentes, dentro da casa dela.

Dona Georgina Conceição Alves improvisa uma creche para dezenas de crianças abandonadas, ou em situação de risco, em seu terreno na Zona Sul de Porto Alegre.

Vó Georgina, como é conhecida, já perdeu as contas de quantos meninos e meninas ajudou a criar nos últimos 30 anos, apesar das dificuldades para sustentar os quatro filhos legítimos.

Nem a perda da casa em um incêndio, nem um aneurisma cerebral que a impossibilitou de andar e falar por um período a impediram de ajudar.

Na creche, batizada de Cantinho Vó Georgina, hoje dormem provisoriamente 10 crianças. Mas, todos os dias, passam pela creche, em média, cerca de 50 meninos e meninas, de seis meses a 12 anos de idade.

Às vezes, esse número chega a 70.

“Enquanto eu tiver força para lutar, por amor a eles, eu farei até o fim. Para livrá-los do pior. Quero que eles vejam o mundo de forma diferente. Eles têm que aprender que o mundo não é só isso que eles veem por aqui”, diz vó Georgina.

As crianças

A maioria das crianças passa apenas um turno na creche. Algumas, no entanto, resolveram mudar de endereço e vivem temporariamente ali, sob os cuidados de vó Georgina e também de seus filhos.

Uma menina sofria frequentes abusos do pai alcoólatra. Outra bateu na porta e pediu socorro à Georgina, exibindo marcas de espancamento no rosto.

“Ela me pedia: ‘Vó, não me deixa voltar pra casa, por favor’. Como eu vou recusar um pedido desses, meu Deus do céu?”, recorda a senhora.

“Alguns já apareceram aqui de madrugada, só querendo carinho. Jamais, nunca, vou dizer não para nenhum deles”, diz ela, convicta.

Eu tento dizer para eles como seria bom se eles fossem bombeiros, por exemplo. E salvassem 15, 20 pessoas. Eu tento passar isso para eles”, sustenta.

“Não me interessa o problema de família deles. O que me interessa são as crianças. Protegê-las, defendê-las. Livrar elas do mundo das drogas”, completa.

A creche sobrevive apenas de doações e do salário mínimo de Dona Georgina, incapacitada de trabalhar, obtido por meio de auxílio-doença do INSS.

Algumas mães, no entanto, tentam ajudar, como se pagassem a mensalidade de uma creche normal. “Às vezes algumas dão R$ 50, R$ 60, R$ 70 por mês. Mas nem sempre dá, é claro”, explica ela.

Com informações do G1

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