Cientistas ganham centro especial para pesquisas em SP

Cientistas brasileiros ganharam um centro especial para desenvolverem seus estudos em Campinas, São Paulo.
Ele lembra o estádio do Maracanã e tem quase o mesmo tamanho, mas é um campo de pesquisa chamado Sirius.
O Sirius é um acelerador de partículas do tipo síncrotron, que promete revolucionar pesquisas nas áreas como saúde, energia e agricultura.
É a ferramenta que os cientistas usam para entender a estrutura atômica das substâncias com as quais vão trabalhar. Algo importante para o desenvolvimento de novos medicamentos, para o aprimoramento de materiais usados na construção civil, na exploração de petróleo e em uma infinidade de outras áreas.
Uma máquina imensa, usada para desbravar universos em miniatura, uma espécie de microscópio gigante de última geração que vai aproximar os pesquisadores brasileiros de uma tecnologia única no mundo.
O Sirius foi desenvolvido nos últimos seis anos no interior de São Paulo pela equipe do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais e vai substituir a única máquina do tipo da América Latina, que também funciona no CNPEM em Campinas.
A primeira etapa do maior e mais complexo projeto de ciência do Brasil foi inaugurada nesta quarta-feira, 14. É a segunda do tipo no mundo.
O valor investido é de R$ 1,5 bilhão.
Energia especial
O prédio de 68.000 metros quadrados abrigará um equipamento com formato de anel e circunferência de 500 metros.
Para proteger as pessoas da radiação liberada pelo funcionamento da máquina, planejada para ser a mais avançada desse tipo em todo o mundo, o conjunto será blindado por 1 quilômetro de paredes de concreto. Uma barreira com 1,5 metro de espessura e 3 metros de altura.
Túneis vão transportar uma energia especial: a luz síncrotron, uma luz muito brilhante, que funciona como num raio-x, mas com um poder muito maior.
A luz síncrotron consegue enxergar a estrutura dos materiais, em escalas minúsculas, do tamanho de átomos e moléculas.
Ela tem um espectro com raio-x, ultravioleta, infravermelho, e tudo isso sai de um feixe muito pequeno, 50 vezes mais fino que um fio de cabelo. É uma luz bem direcionada, parecida com a de uma ponteira a laser.
Um canhão lança os elétrons numa viagem de mais de 500 metros, quase na velocidade da luz.
O percurso circular tem desvios, que levam a energia às estações de pesquisa. Quando atinge os materiais, a luz síncrotron mostra a estrutura interna deles.
“É como se fosse um gigantesco microscópio, então você precisa fazer algo desse tamanho, com uma altíssima estabilidade para poder gerar um feixezinho, que é compatível com o tamanho do que quer ser explorado, que é esse tamanho dos átomos”, explica o diretor do Projeto Sirius, Antônio José Roque da Silva.
O prédio
Para garantir a estabilidade, a fundação do prédio tem 13 metros de estruturas de ferro, quatro metros de pedras, e na base do piso um metro de concreto de alta densidade.
A estrutura tem molas para evitar impactos, tudo tecnologia nacional.
Parte do acelerador está pronta, mas os experimentos começam em 2019.
O centro de pesquisa responsável pelo projeto, já tem uma fonte de luz sincrotron menos potente. É com ela que a Nathaly busca formas de extrair mais óleo das rochas do pré-sal.
“Você vai conseguir enxergar uma gotinha de óleo passando de um poro para outro e vai entender a física por trás de todo esse efeito”, disse ao JN a pesquisadora do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais Nathaly Lopes.
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