Drone reduz em 50% tempo de transporte de órgãos para transplante

Foto: Universidade de MarylandFoto: Universidade de Maryland

Drone para salvar vidas. Pesquisadores norte-americanos conseguiram demonstrar, pela primeira vez, que o equipamento é uma boa opção no transporte de órgãos para transplante, principalmente em grandes cidades afetadas pelos congestionamentos.

Com o equipamento, os especialistas da Escola de Medicina da Universidade de Maryland gastaram a metade do tempo que levaria o transporte em vôos comerciais, por exemplo, que têm uma logística complicada.

“Você pode mover um órgão do ponto A para o ponto B, reduzindo entre 50% e 70% o tempo do explante até o implante, dependendo da distância e da velocidade”, disse Joseph R. Scalea, professor-assistente e cirurgião de transplantes na Universidade de Maryland, em Baltimore.

O especialista acredita que, ao reduzir o tempo dos órgãos na viagem, o transporte por drones vai aumentar a qualidade dos transplantes.

“Nós acreditamos que isso pode acrescentar milhares de anos de vida ao sistema. Esse é o objetivo”, afirma.

O coordenador de transplante de intestino e multivisceral do Hospital Israelita Albert Einstein, Sérgio Meira, em São Paulo, acredita que os drones têm potencial para ajudar na logística dentro de grandes centros urbanos, como São Paulo.

“Nós estamos no Einstein. Se aparece um doador no Santa Marcelina, na Zona Leste, são duas horas e meia de trânsito na hora do rush”, disse.

O especialista conta que a logística é ponto fundamental nas redes de transplantes porque os órgãos têm um tempo máximo de sobrevida sem circulação de sangue. Em muitos casos, órgãos são perdidos pela impossibilidade de transporte.

“Existe um acordo com a aviação comercial para o transporte de órgãos, mas é preciso casar o horário da retirada do doador com os voos, o que nem sempre é possível, explicou Meira.

O teste

No experimento feito nos EUA, a equipe de Scalea fez pequenas modificações no drone comercial DJI Matrice 600, com seis motores e capacidade para carregar até 6 kg.

Originalmente, o drone carrega uma câmera, mas ela foi substituída por uma caixa especialmente projetada para este fim, batizada como Human Organ Monitoring and Quality Assurance Apparatus for Long-Distance Travel- aparato de monitoramento de órgãos humanos e garantia de qualidade para viagens de longa distância.

Ela monitora a temperatura, a pressão, a altitude, a vibração e a localização por GPS durante o transporte.

Em março, eles receberam um rim, que não estava saudável para um transplante, mas serviria para a pesquisa.

Antes, ele passou por uma biópsia para que a condição pudesse ser comparada com exames posteriores.

Foram 14 voos, que demoraram 1 hora e 2 minutos, sendo o mais longo de cinco quilômetros, para simular a transporte entre dois hospitais numa mesma cidade.

Vantagens

Durante todos os voos a temperatura dentro da caixa se manteve estável, e a variação média da pressão foi de 0,69 quilopascal.

O que chamou atenção foi a vibração, menor que nos métodos atuais de transporte. Na biópsia posterior ao experimento, o órgão não apresentou alterações.

“A distância é limitada pela legislação, que exige que o drone esteja no campo de visão do piloto, entretanto, eu prevejo um futuro de drones para o transporte de órgãos de longo alcance, com mais de mil milhas de autonomia. Esses drones ainda estão na infância, mas vamos começar a ouvir falar deles em breve”, explicou Scalea.

Desperdício

A estimativa é que nos EUA 20% dos rins para transplante sejam descartados, mas uma boa parcela deles poderia ser aproveitada se a logística fosse aprimorada.

Com essa base, os pesquisadores estimam que cerca de 2,7 mil rins a mais poderiam ser transplantados por anos.

Sobre o tempo, os cientistas calculam que, com novas tecnologias, será possível transportar um órgão de Los Angeles a Baltimore, distantes 4,2 mil quilômetros, em 7,5 horas.

De Nova York a Baltimore, 310 quilômetros, a viagem levará apenas 33 minutos. Hoje, a média dos transportes de órgãos é de 16h a 18h, incluindo trajetos dentro da mesma cidade.

Scalea e sua equipe agora querem ampliar os estudos para outros órgãos e, talvez, aplicar a tecnologia para situações reais.

“Nós sabemos que essa tecnologia pode ajudar pacientes, por isso continuamos indo em frente mesmo sabendo que questões regulatórias ainda precisam ser resolvidas. Nós estamos avançando rápido nos esforços de oferecer aos pacientes órgãos melhores, de forma mais eficiente. Fique ligado, que mostraremos novos dados em 2019, prometeu.

 

Com informações de OGlobo

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