Unicamp descobre droga para envelhecer com mais saúde

Marcelo Mori - Foto: Sarah Azoubel Lima/DivulgaçãoMarcelo Mori - Foto: Sarah Azoubel Lima/Divulgação

Cientistas brasileiros descobriram uma droga para as pessoas envelhecerem com mais saúde. É o enoxacino, um agente antimicrobiano já usado para tratar infecções urinárias em humanos.

Ele é capaz de aumentar a vitalidade das células de vermes, interferindo tanto no tempo quanto na qualidade da vida deste ser vivo.  Estes vermes são frequentemente usados em estudos sobre envelhecimento por terem um ciclo de vida de até 30 dias.

A descoberta é do Laboratório de Biologia do Envelhecimento, do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp, em Campinas, em São Paulo e o estudo foi publicado no periódico internacional Redox Biology.

Os vermes Caenorhabditis elegans  viveram 18% a mais com a droga, se comparado aos que não foram submetidos à substância, explica o coordenador do estudo, Marcelo Mori.

“É o avanço mais recente nas pesquisas brasileiras sobre esse tema”, afirma Mori.

Como age

Mori explica que o diferencial está no impacto da droga nas moléculas reguladoras microRNAs, presentes no genoma de uma diversidade de organismos, de plantas até animais.

“A gente observa que é uma via que envolve a produção de moléculas chamadas microRNAs. Quando ela está ativada, ela é pró-longevidade. Quando é inibida, está associada ao envelhecimento precoce, a doenças”, explica o pesquisador.

Entre os males causados pela inibição dessas moléculas, estão: diabetes, doenças vasculares e processos inflamatórios associados a doenças crônicas.

Nos vermes, foi visível a preservação da capacidade motora na velhice desses animais que usaram a droga.

“Acontece com o verme e com humanos. A gente vai perdendo músculos, coordenação, os vermes também perdem capacidade motora. No verme a droga consegue preservar por mais tempo a capacidade motora”.

Os pesquisadores concluíram que a via por meio dos microRNAs é chave no controle do processo de envelhecimento baseado em dados de associação genética. O estudo já está sendo feito também em camundongos.

“A gente tem dados positivos contra doenças metabólicas. É bem possível que ela [droga] tenha um comportamento positivo em mamíferos maiores”, acredita o coordenador.

Princípio ativo 

Por ser um antibiótico, Mori afirma que, com a descoberta, os pesquisadores estudam uma maneira de usar o princípio ativo para desenvolver uma nova medicação, sem efeitos colaterais.

Atualmente, o enoxacino atua em duas frentes: na bactéria a ser combatida, e diretamente nas células, reduzindo a sua degeneração.

“A gente tem um processo de melhoramento da droga para conseguir chegar num ensaio clínico que traga benefícios para população. […] A gente quer preservar só o efeito nas células, que é o que contribui para a longevidade”, afirma.

“O que a gente quer não é tornar as pessoas imortais, mas que elas envelheçam com mais saúde”, conclui o cientista.

Com informações do G1

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