Flores podem reduzir uso de pesticidas no campo

Foto: Matthias Tschumi/AgroscopeFoto: Matthias Tschumi/Agroscope

A Inglaterra e a Suíça estão plantando faixas de flores silvestres em campos de cultivo para atrair os predadores naturais das pragas e reduzir o uso de pesticidas na lavoura.

Na Inglaterra, as faixas foram plantadas em 15 explorações agrícolas de grandes dimensões, durante o outono, e serão monitorizadas durante os próximos cinco anos.

No teste, dirigido pelo Centro para a Ecologia e Hidrologia, CEH, as flores plantadas incluem o malmequer-bravo, o trevo-violeta, a Centaurea nigra e a cenoura-brava.

Outra pesquisas já tinham mostrado que a plantação de flores silvestres às margens dos campos para atrair insetos – como as moscas-das-flores, as vespas parasitoides e os escaravelhos terrestres – reduz as populações das pragas nas plantações e pode chegar mesmo a aumentar a produtividade.

Mas nesta nova estratégia, as faixas de flores silvestres foram plantadas em volta dos campos, para que os predadores naturais não sejam capazes de alcançar o centro das grandes explorações agrícolas.

“Se pensarmos no tamanho de um [escaravelho], é um grande caminho até ao centro de um campo”, comentou o professor Richard Pywell, do CEH.

Os testes iniciais do professor mostraram que as faixas a 100 metros de distância umas das outras possibilitam aos predadores atacar os pulgões e outras pragas ao longo de todo o campo.

As faixas dos novos testes têm seis metros de largura, ocupando apenas 2% da área total do campo, e serão monitorizadas ao longo de um ciclo completo, desde o trigo de inverno, passando pela colza e pela cevada de primavera.

Foto: Matthias Tschumi/Agroscope

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Na Suíça

Na Suíça, os testes estão usando plantas e flores como a centáurea, os coentros, o trigo-sarraceno, as papoilas e o aneto.

Richard Pywell, autor de um estudo que revelou que os pesticidas neonicotinóides prejudicam as populações das abelhas, contou ao jornal The Guardian que espera que os predadores naturais controlem as pragas de ano para ano, de forma a que não haja grandes surtos. “Isso seria o ideal – que nunca precisássemos de pulverizar [os campos].”

“Existe, sem dúvida, necessidade de se reduzir a utilização de pesticidas – isso é certo”, disse Bill Parker, diretor de investigação do Agriculture and Horticulture Development Board, explicando que é essencial uma “enorme mudança cultural” na agricultura, na qual se usam, atualmente, pesticidas quer tenham sido identificadas pragas quer não.

“A maioria do aconselhamento sobre proteção de culturas prestado no Reino Unido provém de agrônomos ligados a empresas que lucram com a venda de pesticidas”, contou.

“Não me parece que a principal preocupação [destas empresas] seja reduzir a quantidade de pesticidas usados”, comentou Nicolas Munier-Jolain, do Instituto Nacional para a Investigação Agrícola de França.

Com informações do TheUniPlanet

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