Doce Veruska compartilha texto emocionante de Boechat

Veruska e Boechat - Fotos: reproduçãoVeruska e Boechat - Fotos: reprodução

A viúva de Ricardo Boechat, que ele chamava de “minha Doce Veruska”, encontrou um texto emocionante que o jornalista escreveu e decidiu com partilhar com os fãs.

Ela, que também é jornalista, leu o texto em um evento em que foi celebrada a memória de Boechat.

Anarquista e questionador, o apresentador dá lição de vida, fala da força do amor e da importância da solidariedade entre nós. Leia:

“Dizem os sábios que os primeiros registros a respeito do amor surgiram ainda na pré-história. Os estudiosos admitem que, em algum momento, por volta de 1.500.000 antes de Cristo, esse sentimento sublime aflorou no coração de nossos mais remotos ancestrais, ou foi por eles, então, percebido. Desde então, a força do amor vem inspirando os homens em suas mais profundas crenças e criações. Sua densidade infinita levou-nos à devoção de deuses, concebidos ante a certeza de que algo tão elevado só poderia ter surgido de instância divina. Na nossa escala de valores, naquilo que cultivamos, geração após geração, ele é a fonte e a razão da própria vida. Sem o alimento que ele fornece, nem religiões, nem artes, nada, enfim, existiria. Esse protagonismo, entretanto, merece uma provocação. O tempo nos fez, também, evoluir. E aquilo em que nos transformamos permite que nos perguntemos se o amor, a despeito do tanto que é e sempre foi, seria, de fato, a mais elevada expressão do que somos como espécie. Será o amor o sentimento que mais nos caracteriza? Aquele que melhor nos distingue dos outros seres da Natureza? Se ele surge espontaneamente; se não depende de nossas decisões quando floresce ou morre, pode, então, estar no topo dos valores que reverenciamos? Nada contra o amor, claro. Sou um apaixonado crônico. Mas penso que essa primazia não cabe a ele e, sim, à solidariedade. Este é, também, um sentimento. E um sentimento que não existe sem o amor. Mas a solidariedade vai além. É o sentimento associado à ação. É o que floresce como amor, porque somos o campo fértil dessa semente, mas que prospera se estendemos a mão ao próximo, àquele que precisa de nós. É o ato racional, e, por isso mesmo, essencialmente humano. É o gesto de estender a mão, de acolher o semelhante, de dividir o pão. Sermos solidários é demonstrar capacidade de transformar o amor em atos. É fazermos jus ao que temos de melhor.”

História

O jornalista Ricardo Boechat, da Band, morreu após um acidente trágico de helicóptero no dia 11 de fevereiro em São Paulo.

A aeronave caiu sobre um caminhão no km 22 da rodovia Anhanguera, no sentido Jundiaí, próximo ao pedágio Jabaquara, na Grande São Paulo, por volta do meio-dia.

O piloto da aeronave também não resistiu.

Saudades Boechat! Fique em paz!

Com informações da Contigo/UOL

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