Primeiro professor surdo de balé do DF dá aulas em Libras

Aline, Maycon e Janaína - Foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A PressAline, Maycon e Janaína - Foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press

Maycon Calasancio, de 28 anos, nasceu surdo, mas isso não impediu a paixão dele pela música e pela dança, especialmente o balé.

Foi assim que o jovem se tornou o único professor de balé deficiente auditivo de Brasília. Maycon sente as vibrações do som no corpo para acompanhar o ritmo.

Este ano ele ganhou duas companhias que deram corpo a um projeto que une a arte da dança com Libras, a língua brasileira de sinais.

Maycon, Aline Moura, 21, e Janaína Almeida, 22, criaram o grupo Senserit 3, que tem como proposta unir dança contemporânea com libras.

Desde o alongamento, cada ensaio é uma experiência diferente de sentimentos, movimentos e expressões.

“Combinamos os sinais que dialogam com os sentidos da coreografia. Trabalhamos muito as temáticas em volta da surdez, como a acessibilidade e a luta social. Expressamos na dança o que nós passamos, o que significa nossa vida”, diz Maycon.

“Nós misturamos poesia em língua de sinais. Ou seja, queremos que a dança se torne acessível tanto para os sujeitos ouvintes quanto para os surdos”, conta Aline.

A pedagoga e bailarina é fluente em libras, assim como Janaína.

A união

As duas conheceram Maycon em uma oficina ministrada por ele, no ano passado. Desde lá, passaram a admirar a história do jovem.

Janaína também começou a ter gosto pelos palcos cedo, mas o que mudou tudo para ela foi descobrir que poderia fazer a diferença juntando os seus conhecimentos em libras.

A estudante de pedagogia fez um curso sobre a língua na igreja em que frequenta e começou a usar o que aprendeu diariamente:

“Sempre estou com pessoas surdas, como meu namorado e amigos que fiz”, explica.

O projeto

O trio conseguiu um espaço gratuito destinado aos ensaios em Taguatinga, a 25 km de Brasília

Então começaram a trabalhar duro, com encontros três vezes por semana, elaborando coreografias que permitem o diálogo entre corpo e libras.

“Como nosso objetivo é valorizar a cultura surda, não falamos em português nem durante os exercícios. Nossas conversas acontecem em língua de sinais, para que a identidade deles seja respeitada”, relata Aline.

Assim, o trio, que se juntou como grupo de balé neste ano, está conquistando seu espaço.

Os dançarinos foram chamados para realizar uma performance esta semana no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), dentro da exposição 50 anos de realismo, que também conta com pinturas, esculturas, vídeos, instalações interativas de mais de 30 artistas contemporâneos.

“A gente pensa que surdo e música não têm nada a ver. Mas o ritmo também está dentro da gente. Podemos, por exemplo, sentir o ritmo do nosso coração e começarmos uma coreografia”, ensina Janaína.

Balé nas escolas

Além das apresentações em exposições e eventos, o grupo pretende  levar o projeto de dança às escolas.

“A bailarina Maria Fux diz que o mundo do silêncio existe e ele é experienciado pelos indivíduos surdos na sua forma mais profunda, porque eles podem sentir o ritmo da própria respiração, da própria circulação sanguínea… de uma forma que ouvintes não conseguem. Assim, eles conseguem transformar seu próprio movimento em dança”, diz Aline.

No vídeo abaixo, Maycon convida para a apresentação que fizeram no CCBB:

Com informações do CorreioBraziliense e SNB

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