Brasileiro supera preconceito, se forma nos EUA e volta vitorioso

Alayê Brito - Foto: reprodução / InstagramAlayê Brito - Foto: reprodução / Instagram

Depois de quatro anos, o brasileiro Alayê de Brito, de 26 anos, retornou ao Brasil este mês vitorioso, formado pela Spring Hill College, de Mobile, no estado do Alabama, EUA.

“Quatro anos atrás fui para os Estados Unidos Fazer minha graduação. Eu não falava inglês, mas fui. O mundo cresceu de um jeito que eu jamais imaginaria. Este mês saí de lá assim: com dupla graduação em Ciências Políticas e Estudos Internacionais”, comemorou no Instagram.

Ele se formou graças às bolsas de estudo que conseguiu, às aulas que deu em escolinhas de futebol para crianças e com o dinheiro que os pais conseguiam mandar pra ele. Em entrevista ao SóNotíciaBoa ele contou como superou o preconceito que sofreu aqui no Brasil – onde foi chamado de macaco – e lá nos EUA, onde a dona do imóvel alugado pediu o apartamento de volta quando descobriu que havia negro morado nele.

História

Nascido e criado no bairro Heliópolis, zona norte de Belo Horizonte, Alayê vem de família humilde, filho de pais professores, que sempre batalharam e priorizaram a educação dos filhos.

“Meus pais vieram da pobreza brava e eu também passei por algumas situações difíceis na infância. Meus pais ralaram pra caramba pra pagar escolas pra mim e para os meus irmãos”, disse Alayê em entrevista ao SóNotíciaBoa.

Esporte

Desde menino ele conviveu com o esporte, nos sonhos e na prática. Começou fazendo natação por sugestão médica para acalmar as crises de bronquite na infância. Depois se dedicou ao Taekwondo.

“Mas a minha paixão sempre foi pelo o futebol”, revela.

O apoio da família para que ele se tornasse um atleta profissional era condicionado a tirar boas notas na escola. “Fiz categoria de base no Atlético Mineiro, América Mineiro e no Villa Nova de MG”, lembra.

Até que teve problemas no joelho aos 19 anos, passou por duas cirurgias no ligamento cruzado anterior, justamente no momento da transição entre juniores e profissional.

“A decepção misturada com frustração veio com um gosto muito amargo porque é difícil a gente mexer com sonhos. Queimei chuteira e prometi para mim mesmo que não jogaria mais futebol depois da segunda cirurgia no joelho esquerdo”, afirmou.

A virada

O dinheiro que recebeu ao final do contrato com o Villa Nova/MG, Alayê investiu na educação, para conseguir uma bolsa e estudar nos EUA. Porém, ele não falava inglês.

“Fiz todo o processo de para ser aceito nas faculdades com mais estruturas, mas a minha nota nas provas de conhecimento de inglês era muito baixa”.

O jeito foi estudar todos os dias: “Um professor de Belo Horizonte chamado Pablo Hunai, que foi uma pessoa sensacional, me ajudou para preparar para a prova do TOEFL”, lembra.

Alayê fez a prova, passou e em julho de 2015, embarcou para o Alabama para ser um estudante atleta na faculdade Concordia College Alabama.

Humilhação e preconceito

Lá ocorreu um imprevisto: “Machuquei meu tornozelo uma semana antes de começar a nossa temporada e fui humilhado em um treino”.

“Um amigo traduziu as coisas que o treinador gritava para mim na frente de todo mundo… Segundo ele, as coisas eram horríveis.

Isso fez o jovem tímido lembrar outros casos de preconceito vividos no Brasil

“Sempre fui o único aluno negro da escola, motivo de piada por usar o cabelo natural desde os 11 anos, aquele que ninguém queria dança na infância. Depois, mais velho, em um jogo, um homem perguntou quantas bananas eu ganhava pra jogar”, conta.

Sem condições de voltar para o Brasil, Alayê aprendeu uma lição da vida: “Não há vitória sem sacrifício”. Ele decidiu mudar de faculdade. Conseguiu com um treinador que o viu jogando e gostou.

Na Spring Hill College ele era o único que falava português. “Um campus bonito com pessoas agradáveis, mas a faculdade ficava no meio de uma cidade extremamente racista”.

A dona do imóvel que ele alugou com outros três atletas pediu o apartamento de volta uma semana depois. E somente após um ano ele soube o verdadeiro motivo.

“O treinador confessou para mim que a mulher foi ao seu escritório e pediu a nossa retirada porque, segundo ela, “nunca foi mencionado que pessoas negras iriam morar lá”.

Resistir

Tirando isso, “os 3 anos que passei nessa Spring Hill College foram fenomenais.

Foi lá que Alayê descobriu o que quer a partir de agora:

“Planejo trabalhar com educação e depois de concluir o meu mestrado”.

O tempo vai dizer se será aqui ou nos EUA novamente.

Até decidir, ele mata as saudades da família, dos amigos e da comida mineira da mãe.


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Que isso se torne mais comum na vida de nossos irmãos. ✊🏾

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Por Rinaldo de Oliveira, da redação do SóNotíciaBoa 

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