Aluno da UFMG ganha prêmio internacional por combate à malária

Louison Mbombo - Jorge Lopes/EM/D.A PressLouison Mbombo - Jorge Lopes/EM/D.A Press

Um aluno da Faculdade de Medicina da UFMG, Universidade Federal Minas Gerais, recebeu um prêmio internacional pelo combate à malária.

O prêmio de Melhor Inovação Humanitária 2019 da The Dutch Coalition for Humanitarian Innovation (DCHI), em Amsterdã, na Holanda foi concedido ao universitário congolês Louison Mbombo.

A cerimônia reconheceu os trabalhos do africano dedicados à busca da erradicação da malária em seu país natal. O projeto de Louison usa ferramentas de inteligência artificial da Microsoft e do Google.

O estudante desenvolveu um software de análise e apresentação de dados sobre a doença no país, além de permitir prevenção de surtos e elaboração de estratégias de intervenção.

A doença afeta mais de 25 milhões de pessoas na nação, localizada na África Central.

Apesar de a malária ser uma doença tratável e que pode ser evitada, uma população pobre como a do Congo não consegue ter acesso a um tratamento adequado, conta.

“As crianças são as mais atingidas pela doença. Na África, a cada dois minutos uma criança morre. A gente não pode aceitar morte por uma doença que é tratável e evitável”, disse.

Segundo a ONG Solidariedade na Mokili, criada pelo congolês, quase 40% da população congolesa usa o dinheiro que ganha apenas para tratamento da doença.

Como

Louison analisou dados coletados em postos de saúde de seis províncias da República Democrática do Congo, incluindo informações sobre novos casos de malária, com destaque para crianças, mulheres grávidas e casos de mortalidade pela doença.

O uso desses dados também servirá para a criação de um aplicativo para a população local, desenvolvido por Louison e sua equipe, que vai alertar sobre possibilidade de casos de malária e cuidados para prevenção da doença.

A Coalizão Holandesa de Inovação Humanitária busca e apoia projetos de intervenção humanitária que possam ter impacto global.

Em 2019, especificamente, a entidade buscou por inovações que usassem dados ou informações capazes de salvar ou melhorar a vida de pessoas afetadas por crises humanitárias ou naturais.

Refúgio no Brasil

A instabilidade política que assola a República Democrática do Congo fez Louison Mbombo se refugiar no Brasil.

Em 2013 ele cruzou o Atlântico e estuda medicina desde 2015 na UFMG.

Louison seguiu os passos do pai, que era dono de um hospital no país natal.

Este ano, Mbombo foi incluído, pela União Europeia, na lista dos 15 jovens líderes mais influentes do mundo.

“Desde criança, sempre tive uma visão de mudar o mundo para melhorar. Já nasci com isso, com essa vontade de mudar o mundo. Não ficava confortável de ver tudo que está acontecendo, como problemas relacionados à desigualdade e às mudanças climáticas. Então, decidi tomar uma iniciativa para melhorar a qualidade de vida das pessoas e abri a ONG no intuito de salvar vidas”, contou o jovem ao Estado de Minas.

Com informações do EM

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