Faxineira aprende a escrever aos 50 e ganha concurso de poesia

Após anos de dificuldades, a faxineira Nilza Marques, de 50 anos, voltou para a escola, aprendeu a escrever e hoje comemora a vitória de um concurso literário, com um poema que conta a história da vida dela.
Nilza vive em Venâncio Aires, no Rio Grande do Sul. Ela voltou para a escola por incentivo da família da casa onde trabalhava. Através do programa Educação de Jovens e Adultos (EJA), a faxineira teve a oportunidade de recuperar todos os anos de estudo perdidos do passado.
Já a participação do concurso, foi um incentivo da professora dela, Silvania Carvalho, que viu o quanto Nilza era esforçada e gostava de escrever. Para a educadora, o prêmio representa a muito para Nilza.
Passado difícil
Nilza começou a trabalhar aos 7 anos, quando pegou na enxada pela primeira vez e foi trabalhar na roça. Aos 12 anos, ela passou a ficar em casa para cuidar dos 8 irmãos, enquanto a mãe trabalhava para sustentar a família.
Quando Nilza chegou aos 18, ela dividia o dia entre dois trabalhos: de dia carregava fardos de tabaco em uma fumageira e, durante a noite era babá em uma casa de família.
Educação
Foi por incentivo dos patrões que Nilza voltou para a escola. Durante quatro anos, a faxineira se dedicou à alfabetização e ela viu sua vida mudar.
O destino dos ônibus passou a ficar mais claro, os preços dos alimentos foram revelados e a alfabetização a fez entender e escrever sobre o passado dela.
“Aprendi muita coisa e quero aprender muito mais”, disse Nilza, que tem o apoio de colegas e dos chefes do laboratório Gassen, de Venâncio Aires, onde trabalha como faxineira.
“Tenho muito a aprender no EJA, mais dois ou três anos, e depois eu vou pensar no próximo passo. Se eu tiver forças quero aprender muito mais”, prometeu.
Vitória em concurso
Foi com o incentivo a professora, que Nilza se inscreveu no 12º Concurso Literário de Venâncio Aires, realizado durante 22ª Feira do Livro. O poema Recomeçar, foi escolhido como campeão e a vitória para a faxineira é muito maior do que muita gente imagina.
Leila Gassen, sócia-proprietária do laboratório, é testemunha do esforço de Nilza. Para ela, esse prêmio representa a grandeza da pessoa.
“Nesta idade conseguir trabalhar e se esforçar tanto, de onde ela veio, é admirável […] “Um esforço tremendo pra chegar onde chegou”, finalizou.
Com informações de Agora no Vale

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