Brasileiras salvam gatos de rua com o próprio dinheiro na Flórida

Um grupo de brasileiras voluntárias está fazendo a diferença em Orlando, na Flórida, com um trabalho para cuidar e castrar gatos de rua.
Sem qualquer incentivo financeiro, o grupo, que surgiu há mais de 5 anos, cuida atualmente de aproximadamente 70 gatos divididos em 5 colônias em diferentes regiões da cidade.
Ana Cláudia Bignarde, de 36 anos, uma das fundadoras do grupo, conta que uma vez ela decidiu seguir um gato que ficava em frente ao estacionamento de um restaurante na avenida mais popular de Orlando, a International Drive, para alimentá-lo.
“Minha intenção era alimentar apenas aquele gato, quando cheguei na colônia vi que tinham mais uns 15 animais abandonados então passei a vir regularmente. Com o tempo, fui me informando sobre o processo de castração de gatos, vacinas, entre outras informações que precisava para seguir com esse trabalho”, conta Ana Cláudia.
Para surpresa de Ana Cláudia, ela não estava sozinha na boa ação.
Na terceira visita aos gatos ela encontrou com um outro voluntário que já frequentava regularmente a colônia de gatos para alimentá-los também.
Robert Monzon, 49 (Tito como é conhecido), explica que o trabalho começou da mesma forma voluntária e que o apego com os bichanos foi tanto, que ele passou a dar nome para cada um deles.
A castração
“Aqui temos o Big Poppa, Sly, Shy Thomas, entre outros. Todos nos atendem pelo nome. Ao verificar que nesta área os gatos se ajuntavam, as pessoas passaram a vir aqui abandonar seus animais. O número cresceu desde que comecei a vir. Foi então que decidi com a Ana iniciar um trabalho organizado para cuidar e salvar a vida desses gatos de rua castrando os machos”, pondera Tito.
Os dois voluntários foram até o Orange County Animal Service, que regulamenta as normas que devem ser seguidas no trato com animais na cidade, para verificar quais os procedimentos para castração dos gatos e assim impedir a procriação desenfreada.
Eles descobriam que há um serviço exclusivo, porém não gratuito.
“O processo de castração custa uma média de 25 dólares [pouco mais de 80 reais] para cada gato. Nós não tínhamos qualquer apoio, mas mesmo assim decidimos começar e seguimos com o trabalho. A gente captura o gato (macho ou fêmea), leva para a clínica, e após o procedimento o bicho fica três dias na minha casa para se recuperar, antes de o devolvermos para as ruas”, explica Ana Cláudia.
Em outra região da cidade, Giulliana Filenti, 31, também já procurava donos para gatos que encontrava na rua e desenvolvia um trabalho de assistência para os animais abandonados.
Giulliana foi então apresentada a Ana Cláudia Bignarde por uma amiga. Segundo ela, neste momento decidiram criar um grupo informal entre todos os voluntários no whats app para se ajudar e trocar informações.
“Com o tempo, e com o grupo mais estruturado, começamos a fazer garage sales (bazares) para levantar dinheiro e seguir com o trabalho. Decidimos então nomear o grupo e criar uma página no facebook @strayandferalpawscatrescuegroup. Nosso objetivo era conseguir doações para os gatinhos e também reunir fundos necessários para tirarmos a licença de non-profit organization (Ong sem fins lucrativos) o que ainda não conseguimos”, revela a voluntária.
Cat Angels
A mais nova integrante do grupo de brasileiras voluntárias, carinhosamente chamado de “Cat Angels” é Michelle Manceau, 24.
Ela decidiu entrar para o grupo após conhecer Giulliana no trabalho.
“Ver um bichinho precisando de você e não fazer nada corta o coração. É o que nos motiva. Por isso temos uma agenda de trabalho em que dividimos as tarefas”, afirma a voluntária.
O grupo que tem como lemas: “Every life matters” (toda vida importa) e “Adopt don’t shop” (adote não compre) agora se prepara para iniciar um trabalho de busca por doações e novos voluntários interessados em ajudar.
“Muita gente quer ajudar e não sabe como. Estamos aqui para tirar todas as dúvidas e nosso grupo não é fechado. Quem amar os animais pode participar e contribuir. Toda ajuda é bem vinda”, destaca Michelle.
A captura
O procedimento de captura dos gatos envolve um plano de ação coordenado.
Ana Cláudia leva no carro algumas gaiolas que são posicionadas na colônia como armadilhas.
Aí o grupo joga ração para os gatos e enquanto comem, um deles é capturado. (vídeo abaixo)
Uma espera que pode levar horas.
Do próprio bolso
Giulliana conta que atualmente ela e as amigas do grupo custeam, muitas vezes, com dinheiro do próprio bolso, veterinário, medicamentos e comida para os gatinhos.
A voluntária explica que atualmente os gatos filhotes que são resgatados nas ruas seguem para um processo de adoção.
“Fizemos uma parceria para estar presentes em uma feira de ação que acontece todos os sábados em uma famosa loja pet aqui em Orlando. É a nossa esperança e responsabilidade que os bichinhos achem um lar ideal para viver. Nós explicamos os fatores que são exigidos para criar um gato e traçamos um perfil de quem quer adotar”, explica Giulliana.
A voluntária, que está grávida, deve estar fora de contato direto com os animais até que o bebê nasça. Porém, não parou o trabalho. “Faço em minha casa, quinzenalmente, um garage sale (bazar) para vender produtos doados. Toda a renda é destinada ao nosso trabalho e precisamos muito dessa ajuda”, afirma.
Assista ao vídeo da captura de um gato que ela gravaram com exclusividade para o Só Notícia Boa:
Serviço
Para ajudar ao grupo, entre contato pela página oficial no facebook
ou pelo e-mail: [email protected]
Por Rodrigo Lins – Correspondente SNB nos Estados Unidos

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