Oprah é aplaudida de pé, após discurso contra racismo e assédio

A apresentadora Oprah Winfrey emocionou a todos na cerimônia da 75ª edição do Globo de Ouro, na noite deste domingo.
Oprah foi a homenageada com o prêmio honorário Cecil B. DeMille e soltou o verbo num discurso forte, em defesa das mulheres e contra o assédio e o racismo.
Ela fez jus ao discurso inflamado do ano passado, de Meryl Streep, que recebeu o mesmo prêmio, e viralizou nas redes, por criticar Donald Trump e defender estrangeiros.
“Ninguém nunca mais terá que me repetir”, disse Oprah levando as estrelas da plateia as lágrimas, ao se referir as mulheres e homens que estão na luta de Tinseltown, contra escândalos de abuso sexual.
Veja trechos do que Oprah disse e na sequência o vídeo do discurso, durante a cerimônia:
“Em 1964, eu era uma menina, sentada no chão da casa da minha mãe, assistindo Sidney Poitier vencer o prêmio de melhor ator”, lembrou Oprah sobre o Oscar e o Globo de Ouro recebido pelo ator na época pelo filme Uma Voz Nas Sombras.
“Ao palco veio o homem mais elegante que eu já vi. Me lembro da gravata branca e sua pele negra. Eu nunca tinha visto um negro homenageado assim. Depois, ele ganhou este mesmo prêmio. Tentei várias vezes explicar o que aquele momento significava para uma criança de um lugar tão humilde. Minha mãe entrou em casa, cansada de limpar a casa dos outros. E nesse momento, não consigo deixar de pensar que pode existir alguma pequena menina me assistindo receber este prêmio. Sou a primeira mulher negra a ganhá-lo. É uma honra, e um privilégio compartilhar a noite com todas elas, e todos os homens e mulheres que me inspiraram, me desafiaram e me trouxeram até aqui.”
Em seguida, a apresentadora agradeceu à Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood, responsável pelo Globo de Ouro, e aproveitou para homenagear integrantes da imprensa.
“Vemos a imprensa sofrer um cerco hoje em dia. É preciso ter dedicação para se revelar a verdade, a injustiça. Revelar os tiranos e suas vítimas. Quero dizer que eu valorizo a imprensa mais do que nunca. Estamos tentando viver esse tempo difícil. Por isso, vou falar, que sei ao certo, que dizer a sua verdade é a ferramenta mais poderosa que temos. Tenho orgulho e me inspiro nas mulheres que tiveram a força e o poder de falar e compartilhar suas histórias particulares. Neste ano, somos a história.”
Oprah usou o fim de seu discurso para falar sobre o tema da noite: abuso sexual.
“Não sofremos abuso só na indústria do entretenimento. É um problema que transcende local de trabalho, raça, cultura. Quero prestar um tributo às mulheres que suportaram anos de abuso e violência. Elas, como minha mãe, tinham contas para pagar, filhos para alimentar e sonhos para correr atrás. São mulheres com nomes que nunca saberemos. São trabalhadoras domésticas, em fabricas, em restaurantes, no mundo da tecnologia, militares.”
Ela finalizou lembrando a história de Recy Taylor, uma mulher negra que, em 1944, foi sequestrada e estuprada por seis homens armados enquanto voltava da igreja. “Ela procurou justiça em uma época que não havia justiça. Recy morreu há dez dias. Ela viveu em uma cultura de homens brutais. De pessoas que não acreditariam nela. Mas chegou a hora. O tempo dessas pessoas brutais acabou”, disse, antes de ser aplaudida de pé pela plateia.
“Espero que Recey tenha morrido sabendo que a verdade dela. e de tantas outas mulheres atormentadas naquela época, foi ouvida. Eu entrevistei e interpretei pessoas que passaram por coisas horríveis na vida, e todas elas tinham a capacidade de manter a esperança por um dia melhor. Mesmo nas noites mais terríveis. Que as meninas assistindo esta noite saibam que um novo dia está chegando. Quando esse dia chegar, será por que muitas mulheres magnificas, muitas que estão aqui a noite, e homens fenomenais, que as ajudaram, lutaram para serem os líderes que conduziram esse tempo em que ninguém mais precisa dizer ‘me too” (eu também)”, disse, lembrando o movimento online em que mulheres compartilharam casos de abuso com a hashtag #metoo.
Com informações da Veja.

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