Médicos brasileiros salvam jovem que recebeu extrema-unção: transplante inédito

Médicos do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto fizeram um transplante inédito e salvaram a vida de uma estudante de enfermagem. Ela havia recebido extrema-unção, uma benção com óleo em doentes extremamente graves – hoje chamada de unção dos enfermos – na UTI da Santa Casa de Misericórdia de Mococa, no interior de São Paulo, onde mora.
Desenganada pelos profissionais da Santa Casa, ela foi transferida às pressas para o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HC-FMRP) da USP.
Lá eles fizeram um transplante de fígado em meio à pandemia e felizmente deu certo.
Sara Maria Alves Casimiro, de 19 anos, teve alta no último dia 11. Ela passou dois meses na UTI, após a cirurgia, no dia 21 de maio.
A preocupação dos médicos era ela ter sido contaminada pelo novo coronavírus, mas, Sara fez quatro testagens e todas deram negativo.
A cirurgia
A cirurgia inédita teve novos protocolos e cuidados para evitar a covid-19.
Sara teve infecção urinária e, como resultado do tratamento, ela desenvolveu uma hepatite medicamentosa que levou a uma falência hepática.Com a
Com a gravidade do caso ela encabeçou a lista de espera pelo órgão, na fila de transplantes.
“A paciente chegou com o estado geral bastante comprometido. Já não estava mais consciente e precisando até mesmo de suporte de máquinas para respirar.
Ela não teria sobrevivido se não tivesse aparecido um órgão para transplante naquele momento”, disse o professor Ajith Kumar Sankarankutty, coordenador do Programa de Transplantes do HC-FMRP e chefe da equipe que realizou o transplante de Sara.
Além de todos os cuidados que uma cirurgia desse porte requer, era preciso pensar em todos os protocolos e procedimentos para evitar a Covid-19.
“A princípio, foram os mesmos cuidados adotados para qualquer cirurgia com reforço dos equipamentos de proteção individual (EPIs) para todos os profissionais envolvidos no cuidado da paciente”, lembra o professor.
Mas também foi necessário realizar os testes para Covid-19, tanto na paciente quanto no doador falecido. Para alívio de todos, os resultados deram negativo.
Recuperação
A jovem precisou de fisioterapia com fonoaudióloga, para exercitar os músculos da deglutição depois de tanto tempo na UTI sem se alimentar por via oral.
Aos poucos, rotina de Sara volta ao normal.
Sucesso
O professor Sankarankutty diz que, durante a pandemia, houve queda no número de doação de órgãos e, consequentemente, de transplantes.
Essa queda variou de 30% a 70%, dependendo da região do País. Agora a rotina volta a se normalizar gradativamente.
O professor do HC-FMRP, espera realizar este ano de 45 a 50 transplantes de fígado, mesmo patamar do ano passado.
Com informações do Jornal da USP

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