Quebra de patente de vacinas contra Covid: Biden defende e ganha apoio

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Joe Biden, presidente dos EUA defende quebra de patentes de vacinas contra Covid - Foto: reprodução / CNN
Joe Biden, presidente dos EUA defende quebra de patentes de vacinas contra Covid - Foto: reprodução / CNN

O Presidente dos Estados Unidos começa a receber apoio internacional após defender a quebra de patente de vacinas contra a Covid-19, ou seja, a suspensão temporária da proteção de propriedade intelectual dos imunizantes.

A organização internacional de ajuda humanitária Médicos sem Fronteiras (MSF) aplaudiu o posicionamento de Joe Biden, anunciado nesta quarta-feira, 5.

A intenção é acelerar a produção e distribuição de imunizantes para países que ainda não receberam vacinas.

“Trata-se de uma crise sanitária mundial e as circunstâncias extraordinárias da pandemia exigem medidas extraordinárias […] Iremos participar ativamente de negociações necessárias com a Organização Mundial do Comércio para que isso aconteça”, disse a representante comercial dos Estados Unidos, Katherine Tai, em um comunicado.

Gavin Yamey, professor de Saúde Global e Políticas Públicas da Universidade Duke, nos Estados Unidos, diz que em quase 130 países, onde vivem mais de 2,5 bilhões de pessoas, praticamente nenhuma vacina foi recebida.

Aplausos

A organização internacional de ajuda humanitária Médicos sem Fronteiras alega que a quebra de patentes vai ajudar a salvar vida em locais onde as vacinas ainda não chegaram.

“A medida vai aumentar o acesso a essas ferramentas médicas que salvam vidas no momento em que a COVID-19 continua a devastar países em todo o mundo”, disse a MSF, que há 7 meses vem pedindo a quebra de patentes, incluindo vacinas, tratamentos e diagnósticos.

“Esta decisão espetacular ajudará a enfrentar os desafios históricos e extraordinários que enfrentamos e a aumentar o acesso equitativo às vacinas para COVID-19, ajudando a acabar com esta crise para todos”, afirmou Avril Benoît, diretora executiva da MSF-EUA.

Ela ressaltou a necessidade de acelerar o ritmo da imunização em todo o mundo: “Quanto mais tempo leva para vacinar todas as pessoas, maior o risco para todos nós, pois cresce a chance do surgimento de novas variantes”, alertou.

Doação de vacinas excedentes

A organização Médicos sem Fronteiras também defendeu que os EUA doem as vacinas que sobraram no país.

“Muitos países de baixa renda nos quais MSF opera receberam apenas 0,3% do suprimento global de vacinas para COVID-19, enquanto os EUA já garantiram doses suficientes para proteger toda sua população e ainda têm mais de meio bilhão de doses excedentes”

“Os EUA devem compartilhar suas doses excedentes de vacinas com a COVAX até que outros fabricantes possam aumentar a produção. Também devem exigir que as empresas farmacêuticas que receberam quantias significativas de financiamento do contribuinte dos EUA para criar essas vacinas compartilhem a tecnologia e o know-how com outros fabricantes para que mais pessoas tenham acesso à imunização em todo o mundo.”

Brasil

Avril Benoît chamou a atenção dos países que ainda são contrários à suspensão dos direitos de propriedade intelectual, incluindo o Brasil.

Ela pediu que mudem sua posição: “Os países que continuam a se opor à renúncia de direitos na OMC, como os países da União Europeia, Reino Unido, Suíça, Canadá, Austrália, Noruega, Japão e Brasil também deveriam tomar medidas para colocar a saúde das pessoas à frente dos lucros das empresas farmacêuticas”, afirmou.

Por Rinaldo de Oliveira, da redação do Só Notícia Boa – com informações do CorreioBraziliense e CNN