Professor que não teve livros na infância abre biblioteca pública para crianças do interior

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Por Monique de Carvalho
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O professor criou a biblioteca para incentivar a leitura de pessoas no interior - Foto: reprodução

O maior sonho do professor Francisco lvonildo Dias da Silva era conseguir levar mais leitura para a população de Mangabeira, no interior do Ceará. E ele conseguiu, criando a primeira biblioteca pública da cidade, em 1995!

O sonho, que nasceu tímido, hoje ajuda a transformar a vida dos moradores do distrito e tem atendido alunos de todas as idades há mais de 30 anos.

“Papai cedeu um terreno encostado na casa dele. Ficou alegre com a ideia. E com a ajuda do povo, um dava telha, um tijolo, construímos o prédio para abrigar estes livros”, relembra o professor.

Iniciativa tem transformado vidas

A Sala de leitura José Cândido Dias, como foi batizado o espaço, conta atualmente com 15 mil obras no acervo e foi toda montada sem aporte público.

Nestes quase 30 anos de atividade, não só os moradores de Mangabeiras, como os estudantes de cidades vizinhas também foram beneficiadas.

Para Francisco, a oportunidade de tornar a leitura algo acessível para as pessoas da cidade, permitiu muitas mudanças significativas na região.

“Você nota, pelo entusiasmo, sobretudo de pais de família, com filho na escola. Notamos o valor que eles dão naturalmente ao livro e a Sala, pois, realmente, eles sentem o filho pesquisar na biblioteca”, reflete o professor.

Biblioteca para o povo

Francisco conta que livros não fizeram parte da vida dele quando mais novo. Por compreender essa realidade, ele percebeu a urgência de criar a biblioteca.

“Àquela altura, a localidade contava com duas escolas públicas. Alunos e professores não tinham onde pesquisar para fazer um texto, um estudo qualquer, não tinham fontes”, lembra.

Todas as despesas para o funcionamento e manutenção da biblioteca são mantidas pelo professor.

Francisco diz que só tem o que comemorar com a biblioteca. Desde que iniciou o projeto, tem recebido muito apoio de pessoas de todas as partes do estado.

“Vamos ter que expandir, pois não comporta os livros que recebemos de doações, é uma biblioteca para o povo”, defende.

Feira Literária

Agora, Francisco deu mais um passo e realizou outro sonho: a primeira feira literária de Mangabeira!

O evento, que aconteceu nos dias 15 e 16 agora de julho, reuniu várias atividades, como apresentações literárias, lançamentos de livros (com oito obras apresentadas), palestras, além de shows com artistas locais e convidados.

O evento foi totalmente gratuito e Francisco reforça que a intenção não é o financeiro, mas a transformação que a leitura pode provocar na vida das pessoas.

“Mangabeira é um distrito, comunidade pequena, cinco mil habitantes, mas que tem tradição literária. Catalogamos 40 escritores de vários gêneros: poesias, crônicas, contos e historiografias. Essa Feira estava latente para acontecer, de fato, agora concretizou-se”, comemorou Pedro Luiz Oliveira, escritor convidado, responsável por organizar a feira.

Professor Dias da Silva (ao centro) e frequentadores da biblioteca - Foto: reprodução

Professor Dias da Silva (ao centro) e frequentadores da biblioteca – Foto: reprodução

A sala de leitura conta com mais de 15 mil livros - Foto: reprodução

A sala de leitura conta com mais de 15 mil livros – Foto: reprodução

Com informações de Diário do Nordeste