Todos os bebês pronunciam mesmas palavras quando começam a falar. Olhe a pesquisa!

A fofura só muda de idioma! Os bebês pronunciam as mesmas palavras e expressões quando estão aprendendo a falar, independentemente de onde tenham nascido. Eles escolhem palavras que possam chamar a atenção para si, como os pronomes demonstrativos – este, aquele, isto e assim por diante.
A conclusão é de uma pesquisa que durou quatro anos e observou os nenéns entre 10 e 18 meses de vida.
A linguista Amalia Skilton, da Faculdade de Artes e Ciências da Universidade Cornell (Estados Unidos), analisou como é o desenvolvimento da linguagem dos bebês.
Os resultados da pesquisa estão no artigo estão publicado na revista científica do Cambridge University Press.
Surpresas
A pesquisadora observou que, por exemplo, as primeiras palavras dos bebês costumam ser bem diferentes do que os pais imaginam e idealizam.
“Desde muito pequenas, quando ainda conhecem pouquíssimas palavras, as crianças já aprendem demonstrativos que chamam a atenção dos outros para os objetos, como ‘isto/aquilo’ e ‘aqui/ali’”, analisou.
Segundo a linguista, essas expressões aparecem “tão cedo quanto as primeiras palavras estereotipadas como ‘mamãe”.
Curiosidade
Amalia Skilton disse que essas palavras demonstrativas aparecem, inicialmente, no vocabulário das crianças porque os bebês são curiosos e estão descobrindo o mundo e, de alguma forma, querem compartilhar seu ponto de vista com outras pessoas.
“Chamar a atenção é a base para todo o restante da linguagem e da interação social”, disse.
Para Amalia, as crianças, em geral, começam a usar essas palavras demonstrativas entre os 12 e 18 meses de vida, “não importa o idioma que falem”.
É neste período da vida que os bebês começam mesmo a falar, de fato. Aos 10 e 15 meses, surgem as primeiras palavras, tais como os sons guturais dos tipos “gu-gu” e “da-da”.
Pesquisa
O uso inicial de palavras como “este” e “aquilo” foi identificado em idiomas, como inglês, espanhol e mandarim.
Amalia Skilton observou padrões semelhantes entre 45 falantes do povo Ticuna, na região do Peru, onde vivem cerca de 69 mil indígenas ao longo do Amazonas/Solimões no Peru, Colômbia e Brasil. O idioma Ticuna apresenta seis demonstrativos, quatro dos quais foram estudados por causa de seu uso mais comum.
Durante mais de um ano em Cushillococha, no Peru, uma comunidade de cerca de 5.000 pessoas que vive da agricultura de subsistência, Skilton gravou crianças de 1 a 4 anos brincando e interagindo com cuidadores em suas casas. Ela analisou o desenvolvimento da linguagem Ticuna capturado em quase 15 horas de amostras de vídeo.
Segundo a pesquisadora, as crianças ticuna aprenderam demonstrativos “egocêntricos” – equivalentes a “isto/aqui perto de mim” – cerca de dois anos antes de demonstrativos “interativos” como “aquilo/aqui perto de você”.
De acordo com Amalia Skilton, as crianças usaram essas palavras egocêntricas com mais frequência do que os adultos, respondendo por até 15% de todas as palavras faladas.
Protagonismo
Amalia Skilton concluiu que os demonstrativos desempenham um “papel de protagonista” no desenvolvimento da linguagem. Sãos eles que servem como principais ferramentas para direcionar o que os linguistas chamam de atenção conjunta, que nos permite rotular objetos com nomes, coordenar nossas ações e cooperar.
“Compartilhar a atenção é a infraestrutura para o restante da linguagem e da interação social”, disse Skilton. “Embora os adultos pensem nessas palavras como simples”, disse Skilton. “Os significados são bastante desafiadores para as crianças entenderem em tenra idade e ter problemas com elas é uma parte típica do desenvolvimento infantil.”
A pesquisa de Skilton foi apoiada por uma bolsa de pesquisa de pós-graduação da National Science Foundation (NSF) sobre documentação de línguas ameaçadas da NSF e uma bolsa de pesquisa de pós-doutorado em ciências sociais, comportamentais e econômicas da NSF.
Com informações da Cornell University

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