Ex-cobrador de ônibus supera coma e, se forma em Medicina e inspira os filhos

A vida do Gilberto Arruda Rodrigues, de 50 anos, é repleta de superação e agora ele comemora mais uma: o ex-cobrador de ônicos acaba de se formar em Medicina pela Universidade de Brasília (UnB). O Gilberto já é um velho conhecido aqui no Só Notícia Boa. Comemoramos cada vitória desde desde 2021.
Se tornar médico é mais que uma vitória para Gilberto. Ele ficou em coma por 14 dias após ser atropelado em 2000. Na época, ouviu dos médicos que não andaria mais. Quando se recuperou, saiu do hospital com um novo sonho, que acaba de ser realizado.
Além disso, Gilberto conta que sofreu racismo e recebeu apoio de pessoas queridas: “Racismo estrutural, um racismo mais velado, não tão explícito”. E agradeceu pelo apoio que recebeu professores, alguns amigos, da equipe da enfermagem e técnicos.
Perdeu pai, mãe cedo
Ele é morador de Ceilândia, a 34 km de Brasília e se considera uma pessoa obstinada.
Gilberto ficou órfão da mãe quando tinha 9 anos e, aos 18, teve de lidar com a morte do pai.
Criado pela madrasta, utilizou o skate como uma maneira de não perder o foco na vida. Chegou a disputar alguns campeonatos na modalidade, até decidir cursar faculdade.
Cobrador de ônibus para pagar estudos
Quando fez 19 anos Gilberto quis estudar educação física. Na mesma época passou na prova para atuar como cobrador de ônibus.
“Trabalhei nessa função por 6 anos, mas o dinheiro era curto para conseguir custear os estudos. Foi quando decidi que precisaria virar motorista, ganhar mais, e aí poderia fazer o curso superior”, disse na época.
O atropelamento
Em outubro de 2000, enquanto estava no pátio na função de “manobreiro”, foi atropelado por um colega.
“Pegou da minha cintura para baixo. Quebrou minha bacia, tive hemorragia interna. E tudo ocorreu comigo lúcido. Lembro que os bombeiros chegaram e me imobilizaram”, contou Gilberto.
Após 14 dias em coma veio o diagnóstico duro: “jamais seria possível voltar a andar”. Mas ele persistiu.
“Fiquei mais de um ano só na cama ou cadeira de rodas. Após uma cirurgia no meu pé, passei a ter alguma possibilidade de voltar. Passei a andar com muleta por um tempo e, depois, consegui andar sozinho, por volta de 2002”, contou.
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Inspiração para os filhos
Hoje, Gilberto diz que o diploma é a realização de um sonho e ensina aos filhos a importância da educação para mudar a história das pessoas.
Gilberto entrou na UnB em 2018 e notícia boa inspirou os filhos dele: Raquel, Radassa e Rafael.
Radassa já disse que o sonho dela é ser médica legista. Ela disse que tem muito orgulho do pai e que é muito gratificante poder acompanhar essa nova fase da vida dele.

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