Homem ensinou 10 mil pessoas a nadar após afogamento de crianças num rio da Índia

Um homem transformou uma tragédia em missão de vida. Tocado por um afogamento de crianças num rio, ele já ensinou 10 mil pessoas a nadar no mesmo local onde vidas foram perdidas. E não cobra nada por isso.
A tragédia foi em fevereiro de 2009, quando durante um passeio escolar, no santuário de pássaros Thattekkad, às margens do rio Periyar, na Índia, um barco virou com 15 crianças e uma professora a bordo. Saji Valassery, que é dono de uma loja de móveis, nunca mais esqueceu o que viu.
Desde então, ele dá aulas de natação gratuitas no mesmo lugar onde o barco virou. E a ação é nobre: ele só quer impedir que novas mortes aconteçam. Nesse perído, ele já fez mais de 2 mil crianças atravessarem 780 metros de rio a nado.
Começou em casa
Tudo começou em casa, quando Saji ensinou os filhos a nadar. Depois, os amigos deles. Aí, crianças da vizinhança também pediam para aprender.
Ele usava o que tinha: boias feitas com câmaras de pneu, pedaços de corda e muita paciência. Os alunos aprendiam a boiar, remar, respirar e a se manterem calmos mesmo com a correnteza.
“O medo da água é o maior problema. A maioria dos casos de afogamento relatados aqui são de pessoas que navegam perto das margens e não no meio do rio”, disse em entrevista ao The Better India.
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Clube da esperança
A iniciativa cresceu tanto que se transformou no “Clube de Natação do Rio Valasseril”.
Mais de 10 mil pessoas já passaram por lá.
Dessas, 2 mil crianças conseguiram atravessar 780 metros de rio a nado.
Os alunos passam por diferentes níveis, com nomes carinhosos: do “pré-escolar” ao “pós-doutorado”.
Todos iguais
No rio Periyar, o sol mal nasce e os estudantes já estão chegando.
Policiais, agricultores, jovens… Todos querem aprender um pouquinho de natação.
E o professor lembra que, na água, todos são iguais e começam do zero.
Hoje, Saji já tem 60 anos e segue firme no propósito: ensinar, acolher e salvar vidas.
“As pessoas vão para lugares onde encontram a felicidade. Aí, nadar se torna um benefício adicional”, concluiu.
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