Estudante de Medicina é coletor de lixo à noite em SP; garra e propósito

A garra e a luta contra o preconceito desse jovem são impressionantes. Ele é estudante de Medicina durante o dia e coletor de lixo à noite, dinheiro de um trabalho suado que tem para se manter financeiramente.
Guilherme da Silva Mazini tem 24 anos e mora em Presidente Prudente (SP). A mãe dele, criada num sítio, foi empregada doméstica e hoje trabalha com enfermagem. E os dois filhos que ela criou, agora estudam Medicina. Olha que família determinada.
Guilherme, que passou em 2º lugar no concurso para coletor de lixo, começou a faculdade de Medicina este ano. Com a nota do Enem de 2019, ele estuda com uma bolsa do FIES, Financiamento Estudantil, do governo federal. “O objetivo é inspirar e mostrar às pessoas sobre a importância de irmos atrás dos nossos sonhos, independentemente das nossas dificuldades e limitações”, disse nas redes.
O corre do Guilherme
E a vida dele é a maior correria. Estuda na faculdade das 7 da manhã às 5 da tarde, mesmo horário em que começa na coleta de lixo.
Ele pede para sair 10 minutos mais cedo na faculdade para conseguir chegar um pouco atrasado no serviço de limpeza urbana da cidade, onde trabalha há 3 anos e vai até à meia-noite.
E com orgulho do que faz, Guilherme posta o corre dele atras dos sacos de lixo nas redes sociais, onde tem apoio e carinho de quase 4 mil seguidores, entre eles, a mãe: “Meu lindo, que orgulho de você”, comentou dona Marilza Araújo Silva, em um dos posts do filho.
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Enfrenta preconceito
Guilherme estudava graduação em enfermagem com bolsa do Prouni, quando passou no concurso para coletor de lixo.
Com coragem e determinação ele aceitou o desafio, porque concursado tem estabilidade no emprego e o horário de trabalho encaixava com o da faculdade. E falou sobre preconceito:
“O preconceito existe. As pessoas se assustam quando eu conto [que é coletor de lixo]”, lembrou.
Limitações físicas
Não bastasse o preconceito, o estudante ainda enfrentou as próprias limitações físicas.
Guilherme conta que no começo o corpo sentiu o impacto de pegar sacos de lixo nas ruas e correr atrás do caminhão para jogar na caçamba. Ele teve dores no joelho, no ombro, nas mãos, mão não desiste.
“O dia a dia é pesado, [mas] o que me motiva é o sonho e a vontade das coisas melhorarem”, disse o jovem estudante.
Vai cursar psiquiatria
E ele já decidiu a área da medicina que quer seguir: Guilherme vai ser psiquiatra.
Ele quer tratar da saúde mental das pessoas e a relação da doença com outras patologias.
“Acredito no propósito de levantar as pessoas, recuperá-las, para haver um futuro melhor.”
Gratidão à mãe
Guilherme da Silva Mazini agradece o que tem à mãe, e se inspira nela, a quem chama de “batalhadora e guerreira”.
Dona Marilza criou os dois filhos com muito sacrifício e hoje, vê com orgulho os dois estudando medicina, um curso elitizado, que poucos conseguem pagar.
A irmã do Guilherme tem 18 anos e também estuda medicina por meio do FIES, em Adamantina, no interior de São Paulo.
“Que história inspiradora! Tanta gente se lamentando, inclusive eu, por trabalhar 8 horas por dia, no ar condicionado e você nos dando essa lição. Muito obrigada, por você vou parar de reclamar a partir de hoje. Desejo muito sucesso na sua profissão. Muito orgulho!!!”, comentou uma seguidora do Guilherme no Instagram.
Disse tudo.
Veja como é o corre do Guilherme nas ruas:
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O Guilherme do dia e o da noite:
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