Jovem resolve enigma matemático que pesquisadores não conseguiram por 60 anos

Um jovem da Coreia do Sul conseguiu resolver um enigma matemático famoso que intrigou pesquisadores do mundo todo por quase seis décadas. O feito ganhou destaque internacional e colocou o nome dele entre os grandes avanços da matemática recente.
O problema era conhecido por parecer simples à primeira vista, mas esconder uma dificuldade enorme. Qualquer pessoa conseguia entender a pergunta, mas ninguém havia conseguido provar a resposta final com certeza.
Depois de anos de tentativas frustradas de vários estudiosos, a solução veio de um pesquisador de apenas 31 anos, que dedicou boa parte da vida acadêmica ao desafio.
Quem é o jovem do enigma matemático
O responsável pela descoberta é Baek Jin-eon, matemático sul-coreano e pesquisador do Korea Institute for Advanced Study. Ele atua como pesquisador no June E Huh Center for Mathematical Challenges, um centro voltado a problemas difíceis da matemática.
Baek concluiu o doutorado na Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, e já havia passado pelo Instituto Nacional de Ciências Matemáticas da Coreia. A solução do problema surgiu quando ele tinha 29 anos, durante um período como pesquisador de pós-doutorado na Universidade Yonsei.
O reconhecimento veio em 2025, quando a revista Scientific American colocou o trabalho dele entre os 10 maiores avanços matemáticos do ano.
O enigma que parecia simples, mas não era
O chamado “problema do sofá em movimento” foi criado em 1966 pelo matemático Leo Moser. A pergunta era direta: qual é o maior formato rígido possível que consegue passar por uma curva em L, em um corredor estreito de largura fixa?
Mesmo sem fórmulas complicadas, o problema virou um clássico e apareceu em livros didáticos nos Estados Unidos. Justamente por isso, atraiu curiosos e especialistas por décadas.
Ao longo dos anos, vários matemáticos criaram formas cada vez mais eficientes, mas ninguém conseguia provar qual era o limite máximo possível.
Tentativas ao longo das décadas
Em 1968, o matemático britânico John Hammersley apresentou uma forma com área aproximada de 2,2074 metros quadrados. Anos depois, em 1992, o professor Joseph Gerver, da Universidade Rutgers, propôs uma figura ainda mais complexa, com cerca de 2,2195 metros quadrados.
A forma de Gerver passou a ser a principal candidata à resposta final. Mesmo assim, faltava algo essencial: uma prova definitiva de que nenhuma forma maior conseguiria fazer o mesmo percurso.
Essa lacuna manteve o problema em aberto por mais de 30 anos.
Sete anos de trabalho
Baek Jin-eon decidiu enfrentar justamente essa dúvida. Foram sete anos de pesquisa até a publicação de um artigo com 119 páginas, divulgado no fim de 2024 no site científico arXiv.
O diferencial do trabalho foi a abordagem. Em vez de depender principalmente de cálculos feitos por computador, como estudos anteriores, o matemático apostou em raciocínio lógico e argumentos teóricos para mostrar que a forma de Gerver é o limite máximo possível.
O artigo agora passa por avaliação na Annals of Mathematics, uma das revistas mais respeitadas da área.
Novas ideias
Em entrevistas, Baek comparou o processo de pesquisa a um ciclo constante de criar e abandonar ideias. Segundo ele, muitas tentativas precisaram ser deixadas para trás até que o caminho certo aparecesse.
O matemático contou que o problema chamava atenção justamente por não ter uma base teórica clara. A falta de referências antigas virou motivação para criar novas ferramentas e transformar o desafio em um problema de otimização.
Para Baek, avanços assim levam tempo. Ele disse que sente como se tivesse plantado uma pequena semente, que agora pode ajudar outros pesquisadores a avançar ainda mais na matemática.

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