Butantan amplia para 10 cidades a aplicação da vacina contra chikungunya

Dez cidades brasileiras passaram a receber a vacina contra a chikungunya desenvolvida pelo Instituto Butantan, dentro de um projeto piloto que busca avaliar a aplicação do imunizante em diferentes realidades regionais.
O imunizante foi autorizado em 2025 pela Anvisa e integra um programa que envolve municípios do Ceará, Sergipe, interior de São Paulo e quatro cidades de Minas Gerais. A vacinação é destinada a adultos entre 18 e 59 anos sem imunodeficiência e ocorre em dose única.
Além da proteção individual, o estudo acompanha indicadores locais para entender se a vacinação em maior escala contribui para reduzir a circulação do vírus nas áreas participantes.
Ampliação para dez municípios
A ampliação para dez cidades representa uma etapa importante na coleta de dados sobre a vacina em condições de uso cotidiano. A escolha dos municípios considera critérios como histórico de circulação do vírus e capacidade de acompanhamento epidemiológico.
Segundo o Instituto Butantan, a presença em diferentes estados permite observar o desempenho do imunizante em contextos variados, o que pode orientar futuras decisões sobre expansão da vacinação.
O projeto também prevê acompanhamento contínuo dos resultados para avaliar impacto e segurança ao longo do tempo.
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Como funciona o projeto piloto
O programa funciona como uma etapa de observação após a aprovação da vacina. Além da aplicação das doses, equipes monitoram indicadores de saúde para medir possíveis efeitos na transmissão do vírus.
Fernanda Boulos, diretora médica do Instituto Butantan, explica que o objetivo é reunir informações adicionais. “É uma vacina aprovada que teve eficácia e segurança comprovadas em diversos estágios de desenvolvimento, e agora estamos gerando dados complementares com a utilização em vida real”, afirmou.
Os resultados devem contribuir para o planejamento de políticas públicas relacionadas ao controle da chikungunya.
Quem pode receber a vacina
A vacina é indicada para adultos entre 18 e 59 anos que não apresentem condições que enfraqueçam o sistema imunológico. A aplicação em dose única facilita a logística nas unidades de saúde participantes.
Em Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, moradores começaram a procurar os postos de saúde após o início da campanha. O publicitário Luiz Felipe Motta relatou que decidiu se vacinar após acompanhar casos próximos. “Minha mãe que teve chikungunya tem até hoje dores no corpo”, disse.
Situação da chikungunya no Brasil
Em 2025, o país registrou quase 130 mil casos prováveis de chikungunya e 121 mortes. Em 2026, já são mais de 8 mil casos e uma morte confirmada, segundo dados de vigilância.
O infectologista Unaí Tupinambás destaca que a doença pode causar dores articulares persistentes e reforça a importância de medidas de controle do mosquito transmissor enquanto a vacinação não alcança toda a população.

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