Araras-canindé voltam a voar no Rio após mais de 200 anos

Depois de mais de 200 anos sem aparecer na natureza do Rio de Janeiro, as araras-canindé voltaram a ser vistas voando pela cidade. As primeiras aves foram soltas nesta semana no Parque Nacional da Tijuca e já começaram a circular pela região do Alto da Boa Vista.
Essa volta faz parte de um trabalho organizado por pesquisadores e pela equipe do parque. A ideia é trazer de volta animais que desapareceram dali ao longo do tempo e ajudar a floresta a recuperar parte do que perdeu.
E tem um detalhe curioso nisso tudo: aos poucos, a paisagem da mata vai ficando mais parecida com o que era antes, inclusive nos sons. As araras fazem barulho, se movimentam bastante e acabam mudando o ritmo do ambiente ao redor.
Um trabalho que já vinha acontecendo
A reintrodução das araras não começou agora. Ela faz parte de um projeto maior, chamado Refauna, que já vem atuando há alguns anos dentro do Parque Nacional da Tijuca.
Outros animais já foram trazidos de volta antes, como cutias, jabutis e bugios. Cada espécie tem uma função dentro da floresta, e a ausência delas acaba afetando o equilíbrio do lugar.
Mesmo quando a mata parece preservada, nem sempre ela está completa. Às vezes, falta justamente a presença dos animais que ajudam a manter o ciclo natural funcionando.
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Por que as araras tinham desaparecido
As araras-canindé deixaram de existir na região ainda durante o período colonial. Isso aconteceu, principalmente, por causa da caça e da perda de áreas naturais ao longo do tempo.
O último registro da espécie vivendo livre na cidade é de 1818, feito pelo naturalista Johann Natterer. Depois disso, não houve mais registros na natureza.
Agora, com esse trabalho de reintrodução, a espécie volta a ocupar um espaço que já foi dela no passado.
O papel das araras na floresta
As araras não estão ali só para serem observadas. Elas ajudam a manter a floresta funcionando de forma equilibrada.
Uma das funções mais importantes é a dispersão de sementes. Ao se alimentarem, elas acabam espalhando sementes por diferentes áreas, o que ajuda no crescimento de novas plantas.
O biólogo Marcelo Rheingantz, da UFRJ, resume bem essa ideia. Segundo ele, ao longo dos séculos, a Mata Atlântica perdeu muitas espécies e, com isso, parte do funcionamento natural também se perdeu. Trazer esses animais de volta ajuda a recuperar esse processo.
O que muda para quem frequenta o parque
Para quem costuma passar pelo Parque Nacional da Tijuca, a principal mudança agora é a chance de ver as araras de perto, voando ou pousadas nas árvores.
Mas esse contato precisa ser feito com cuidado. A orientação é não alimentar, não tentar tocar e nem chamar as aves. Isso pode atrapalhar a adaptação delas ao ambiente.
Quem quiser ajudar pode fazer algo simples: registrar quando avistar uma arara no aplicativo SISS-Geo, da Fiocruz. Essas informações ajudam os pesquisadores a acompanhar como está sendo essa volta.
A expectativa é que, com o tempo, a presença das araras passe a fazer parte da rotina da floresta, como já aconteceu no passado.

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