Ozempic ajuda a diminuir dependência em drogas, revela estudo

Ozempic contra dependência em drogas? Um novo estudo mostra que o medicamento, que ficou conhecido pelo tratamento do diabetes e da obesidade, pode estar associado a uma menor ocorrência de problemas relacionados ao uso de álcool, nicotina e outras substâncias. É que ele diminui a vontade de usar essas drogas.
Os pesquisadores perceberam que esses da classe dos GLP-1, como o Ozempic, também podem atuar em áreas do cérebro ligadas à recompensa, motivação e desejo intenso por determinadas substâncias.
Pesquisa analisou 600 mil pessoas nos Estados Unidos com diagnóstico de diabetes tipo 2 e o resultado do estudo foi publicado na revista científica The BMJ.
Como fizeram o estudo
Os pesquisadores compararam pessoas que utilizavam medicamentos da classe GLP-1 com outros grupos e observaram uma relação entre o uso desses remédios e uma menor ocorrência de transtornos relacionados ao uso de substâncias.
Os resultados fizeram uma associação com menores registros relacionados ao uso problemático de álcool, nicotina, opioides e cocaína, além de menos atendimentos de emergência e internações ligados a essas situações.
Segundo os cientistas, uma possível explicação está no funcionamento do cérebro.
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Como funcionam esses remédios?
Os medicamentos GLP-1 atuam em regiões relacionadas ao apetite e à sensação de recompensa.
Essas mesmas áreas também participam dos mecanismos envolvidos na compulsão e na busca por determinadas substâncias.
A hipótese é que o remédio possa diminuir a intensidade desses desejos, algo que alguns pesquisadores descrevem como uma redução da “fissura”.
Estudos com álcool também mostram resultados
Além das análises com grandes bancos de dados, pesquisas clínicas começaram a investigar o efeito da semaglutida, princípio ativo do Ozempic e medicamentos semelhantes, em pessoas com transtorno por uso de álcool.
Um ensaio clínico divulgado pelo Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH) encontrou redução de dias de consumo pesado de álcool em participantes que receberam semaglutida junto com terapia comportamental.
Ainda não é um tratamento para dependência
Apesar dos resultados animadores, os especialistas reforçam que os estudos ainda não comprovam que o medicamento causa diretamente a redução dos vícios.
A pesquisa com mais de 600 mil pessoas é observacional, ou seja, identifica uma relação entre fatores, mas não prova sozinha que um é responsável pelo outro.
Novos estudos clínicos ainda são necessários para entender quem poderia se beneficiar e se esses medicamentos poderão futuramente fazer parte de tratamentos contra dependências.
De qualquer forma, essa notícia boa já é uma esperança contra a dependência química.

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