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Conheça Giullia, a primeira aluna preta e surda na Engenharia de Produção da UFF: representatividade

Lorena Fassina
07 / 08 / 2026 às 13 : 54
Primeira aluna preta e surda, Giullia Cardim, de 26 anos, faz história no curso de Engenharia de Produção da UFF, no Rio de Janeiro. - Foto: Arquivo pessoal
Primeira aluna preta e surda, Giullia Cardim, de 26 anos, faz história no curso de Engenharia de Produção da UFF, no Rio de Janeiro. - Foto: Arquivo pessoal

Giullia Cardim, de 26 anos, está fazendo história como a primeira aluna preta e surda na Universidade Federal Fluminense (UFF). Ela está no curso de Engenharia de Produção e, atualmente, a única pessoa com deficiência auditiva na turma. Uma conquista que veio acompanhada de muitos desafios para conseguir chegar e permanecer em uma universidade federal.

Natural do estado do Rio de Janeiro, Giullia utiliza a Língua Brasileira de Sinais (Libras) e a leitura labial para se comunicar. Na graduação, precisou enfrentar desde a falta de intérpretes até dificuldades para conseguir adaptações em aulas e avaliações. A própria UFF confirma a participação da jovem em projetos ligados à comunidade surda e a lista como estudante de Engenharia de Produção na Plataforma Libras Acadêmica.

“Quando descobri que era a primeira mulher negra e surda do curso de Engenharia de Produção da UFF e a única estudante surda da turma, senti muito orgulho e também uma grande responsabilidade”, contou Giullia ao Só Notícia Boa.

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Uma luta diária por acessibilidade

Chegar à Engenharia de Produção já era um sonho. Permanecer no curso, porém, trouxe uma nova batalha. Giullia conta que a falta de acessibilidade foi o maior obstáculo que encontrou dentro do ensino superior.

“O maior desafio para chegar à Engenharia de Produção na UFF foi enfrentar a falta de acessibilidade. Como estudante surda, muitas vezes precisei lutar por intérprete de Libras, adaptação das aulas e das avaliações”, explicou.

A universidade possui uma Secretaria de Acessibilidade e Inclusão e oferece serviços de tradução e interpretação em Libras para aulas e outras atividades acadêmicas. A própria Escola de Engenharia também mantém uma Coordenação de Inclusão voltada ao acolhimento e à permanência dos estudantes. Ainda assim, a experiência de Giullia mostra que garantir esses recursos no dia a dia pode exigir insistência do próprio aluno.

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Preconceito não a fez desistir

Além das barreiras de comunicação, Giullia conta que também precisou enfrentar preconceito ao longo da trajetória. Mas ela enfrentou, decidiu continuar no curso e lutar pelo sonho de se formar engenheira de produção.

O curso que frequenta é presencial e integral, oferecido pela Escola de Engenharia da UFF, em Niterói (RJ). A graduação tem duração prevista de dez semestres e prepara os estudantes para atuar no planejamento, gerenciamento e melhoria de sistemas de produção e serviços.

Para Giullia, ocupar esse espaço tem a ver com representatividade: “Percebi que minha trajetória poderia abrir caminhos e inspirar outras pessoas a acreditarem que também podem conquistar seus objetivos”, afirmou.

Representatividade dentro da universidade

Ela defende que a acessibilidade não seja tratada como um favor, mas como uma condição para que estudantes tenham as mesmas oportunidades dentro da universidade.

A jovem também participa da Plataforma Libras Acadêmica UFF, iniciativa que trabalha com um glossário bilíngue de termos utilizados no ambiente universitário. O projeto busca ampliar o acesso da comunidade surda aos conteúdos acadêmicos, e Giullia aparece na equipe de “atores surdos” ligada à Engenharia de Produção.

Para ela, chegar até ali também significa tornar mais visível a presença de pessoas com deficiência em cursos e espaços onde ainda são minoria. A responsabilidade que sentiu ao descobrir o pioneirismo se transformou em vontade de mostrar a outros jovens que a universidade também pode ser ocupada por eles.

“Nunca desistam dos seus sonhos”

Giullia sabe que a própria caminhada ainda não terminou. Ela segue cursando Engenharia de Produção e buscando as condições de acessibilidade necessárias para concluir a graduação.

Por isso, quando perguntada sobre o que diria a outras pessoas surdas ou com deficiência que sonham com uma universidade, ela foi direta: “Nunca desistam dos seus sonhos. A caminhada pode ser difícil, mas vocês são capazes. Lutem pelos seus direitos, acreditem no seu potencial e não deixem que ninguém diga que vocês não conseguem”.

Aos 26 anos, Giullia Cardim continua na UFF, entre aulas, Libras, leitura labial e os desafios da graduação. A próxima meta é concluir o curso e sair da universidade como engenheira de produção.

Veja as fotos da Giullia, que é a 1ª mulher negra e surda na Engenharia de Produção da UFF:

Giullia Cardim carrega com orgulho o nome da UFF, onde faz história na Engenharia de Produção. Foto: Arquivo pessoal
Giullia Cardim carrega com orgulho o nome da UFF, onde faz história na Engenharia de Produção como a primeira mulher preta e surda. – Foto: Arquivo pessoal
Giullia Cardim, de 26 anos, segue na graduação em Engenharia de Produção da UFF e luta por mais acessibilidade no ensino superior. Foto: Arquivo pessoal
Giullia Cardim, de 26 anos, segue na graduação em Engenharia de Produção da UFF e luta por mais acessibilidade no ensino superior. Foto: Arquivo pessoal
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