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Fernando de Noronha faz 523 anos e vídeo subaquático mostra lado profundo que poucos conhecem

Rinaldo de Oliveira
10 / 08 / 2026 às 14 : 44
Fernando de Noronha faz 523 anos e projeto subaquático revela em panorâmicas o que existe debaixo do mar, como o Corveta Ipiranga V-17, naufragado em 1983. - Fotos: Fabi Fregonesi e Raphael Gatti/ Divulgação
Fernando de Noronha faz 523 anos e projeto subaquático revela em panorâmicas o que existe debaixo do mar, como o Corveta Ipiranga V-17, naufragado em 1983. - Fotos: Fabi Fregonesi e Raphael Gatti/ Divulgação

Fernando de Noronha faz 523 anos nesta segunda-feira, 10 de agosto de 2026, e um vídeo subaquático mostra um lado do arquipélago que a maioria dos turistas nunca consegue ver: as paisagens monumentais escondidas debaixo do mar. O material faz parte do projeto Panorâmicas de Noronha, dos fotógrafos e mergulhadores Fabi Fregonesi e Raphael Gatti.

Durante uma expedição de três semanas, os dois registraram 16 pontos de mergulho do arquipélago, em Pernambuco, usando fotografia panorâmica subaquática. A técnica reúne várias fotografias em uma única composição e permite mostrar cenários muito maiores do que aqueles vistos em um enquadramento convencional. Entre os locais registrados estão Pedras Secas, Cabeço da Sapata, Trinta Réis e a Corveta Ipiranga.

“Esse projeto nasce de uma inquietação: a sensação de que o que a gente vê no mergulho em Noronha raramente é possível ser traduzido em imagem”, explicou Fabi Fregonesi. “A panorâmica foi a forma que encontramos de respeitar a escala do oceano e registrar esse território como ele realmente é: grandioso, complexo, vivo e impossível de ser reduzido a um único enquadramento.”

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Noronha como pouca gente viu

O projeto mostra uma Fernando de Noronha bem diferente daquela conhecida pelas praias vistas da superfície. Em vez de fotografar apenas uma pequena parte do cenário, Fabi e Raphael fazem diversas imagens próximas do objeto ou da formação subaquática e depois unem as fotografias.

Algumas panorâmicas são formadas por três imagens. Outras utilizam mais de 24 fotografias. A técnica ajuda a resolver uma dificuldade da fotografia debaixo d’água: quanto maior a distância entre a câmera e aquilo que está sendo fotografado, maior é a quantidade de água entre a lente e o objeto, o que prejudica a nitidez.

Ao fotografar de perto e unir os registros posteriormente, os fotógrafos conseguem preservar detalhes, cores e texturas e, ao mesmo tempo, mostrar a dimensão do ambiente.

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Corveta aparece inteira

Um dos resultados mais impressionantes está a 62 metros de profundidade. É a Corveta Ipiranga V-17, um navio de guerra da Marinha que naufragou em Fernando de Noronha em 1983. Os destroços permanecem no fundo do mar e se tornaram um dos pontos mais conhecidos para mergulhadores experientes.

Segundo os responsáveis pelo Panorâmicas de Noronha, esta é a primeira vez que o naufrágio ganha um registro fotográfico panorâmico capaz de mostrar de forma contínua a dimensão da embarcação.

A imagem foi formada pela união de três fotografias subaquáticas. Até então, as fotografias da Corveta costumavam apresentar ângulos isolados do navio. Nas novas imagens, os mergulhadores também aparecem propositalmente na composição. E ajudam quem vê a fotografia a perceber o tamanho real do naufrágio.

“Se não usássemos um mergulhador para compor a imagem, a escala do local se perderia e as pessoas não conseguiriam ter noção do tamanho real daquele ambiente”, explicou Fabi.

Só 15 minutos para fotografar

O registro da Corveta Ipiranga exigiu planejamento e precisão. O mergulho completo levou aproximadamente 65 minutos, entre a descida, o tempo no fundo e a subida.

Por causa dos protocolos de segurança exigidos pela profundidade de 62 metros, os fotógrafos tiveram apenas entre 15 e 17 minutos efetivos para produzir as imagens do navio.

“Não existia margem para erro”, explicou Raphael Gatti. “A segurança vinha sempre em primeiro lugar, obviamente, mas isso também exigia muita precisão.”

Segundo Fabi, a dupla entrou na água já sabendo exatamente quais registros precisava fazer.

Fotógrafa brasileira premiada

Fabi Fregonesi é fotógrafa subaquática e já recebeu reconhecimento internacional pelo trabalho debaixo d’água.

Ela foi a primeira brasileira a chegar ao pódio do Underwater Photographer of the Year. Em 2024, ficou em terceiro lugar na categoria Wrecks, dedicada a naufrágios, com a fotografia “Set sail”.

Fabi também teve trabalho selecionado no Sony World Photography Awards de 2026, na premiação regional da América Latina.

Raphael Gatti é mergulhador e fotógrafo subaquático há mais de 15 anos e trabalha com técnicas e tecnologias voltadas ao registro dos ambientes marinhos.

523 anos de história

A divulgação das novas imagens coincide com o aniversário de Fernando de Noronha.

A descoberta do arquipélago é atribuída ao navegador Américo Vespúcio, que chegou à região em 10 de agosto de 1503 durante uma expedição comandada por Gonçalo Coelho. Nesta segunda-feira, portanto, Noronha completa 523 anos.

O arquipélago é Patrimônio Natural Mundial da Unesco desde 2001, em conjunto com o Atol das Rocas. A Unesco destaca a importância da região para espécies como tartarugas-marinhas, tubarões, golfinhos e aves marinhas.

Em 2025, Fernando de Noronha também passou a integrar a rede internacional de Hope Spots, áreas reconhecidas pela Mission Blue pela importância para a saúde e a biodiversidade dos oceanos.

É também em Noronha que fica a Baía do Sancho, que já foi eleita várias vezes entre as melhores praias do mundo em rankings internacionais, como já mostrou o Só Notícia Boa.

Preservar pelo encantamento

Para os autores, o Panorâmicas de Noronha vai além do registro artístico. A ideia é permitir que pessoas que provavelmente nunca mergulharão nesses locais conheçam a dimensão do patrimônio que existe debaixo da água.

“Quando a gente mostra a escala e a beleza desses ambientes, a relação muda”, disse Fabi.

Para ela, a fotografia também pode estimular a preservação. “Eu sempre falo que a fotografia tem o poder de aproximar e gerar cuidado. Esse é também um dos nossos objetivos: encantar e, através do encantamento, convidar as pessoas a serem parte ativa no cuidado com esses paraísos.”

O projeto foi realizado de forma independente e contou com apoio operacional da empresa de mergulho Águas Claras.

E, apesar dos 16 pontos já registrados, os fotógrafos acreditam que ainda há muito para mostrar: “A gente saiu de Noronha com a sensação de que esse é só o começo: ainda existe muito a ser revelado debaixo d’água”, concluiu Raphael.

Fernando de Noronha faz 523 anos e projeto subaquático revela em panorâmicas o que existe debaixo do mar, como o Corveta Ipiranga V-17, naufragado em 1983. - Fotos: Fabi Fregonesi e Raphael Gatti/ Divulgação
Fernando de Noronha faz 523 anos e projeto subaquático revela em panorâmicas o que existe debaixo do mar, como o Corveta Ipiranga V-17, naufragado em 1983. – Fotos: Fabi Fregonesi e Raphael Gatti/ Divulgação
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