Alvinho, menino superdotado que vive em abrigo, está na Bahia para encontro de pequenos gênios

O menino superdotado Adriano Álvaro Melo, o Alvinho, de 10 anos, está na Bahia e trocou alguns dias no abrigo onde vive com a mãe, no Rio de Janeiro, por um encontro com outras crianças e adolescentes com altas habilidades. Ele foi convidado pela Mensa Brasil para participar do AGzinho 2026, evento nacional que termina nesta segunda-feira (7).
A viagem foi viabilizada pela própria entidade, que custeou passagens, hospedagem e alimentação. A programação começou no sábado (5) e reúne atividades em Salvador e Lauro de Freitas, com oficinas, desafios, experiências de ciência e tecnologia e momentos de convivência entre jovens com altas habilidades.
Para Alvinho, o convite chega em um momento de mudanças. A história do garoto ganhou repercussão nacional nos últimos dias depois que o Brasil soube da realidade da família. Apesar do talento precoce e do currículo impressionante para a idade, ele e a mãe enfrentam uma situação de vulnerabilidade e vivem atualmente em um abrigo no Grajaú, Zona Norte do Rio.
Criou um jogo aos 7 anos
A facilidade de Alvinho para aprender chamou a atenção da família quando ele ainda era muito pequeno. Aos 4 anos, durante a pandemia, ele aprendeu a ler e escrever com a ajuda do GraphoGame, aplicativo de alfabetização do Ministério da Educação. Depois, passou por testes que confirmaram as altas habilidades.
Ele também aprendeu inglês por conta própria. Mais tarde, Alvinho participou de um curso on-line de programação oferecido pela Universidade Harvard, nos Estados Unidos.
Aos 7 anos, colocou o que havia aprendido em prática e criou o jogo “Super Alvinho”, todo em inglês. Nele, um cientista desenvolve robôs agrícolas e procura soluções para melhorar a produção e a distribuição de alimentos.
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Xadrez, robótica e palestras
A programação é apenas uma das áreas que despertam o interesse do menino superdotado brasileiro.
Alvinho, o menino superdotado brasileiro, também se destacou no xadrez e participou de atividades de robótica na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Em 2023, ainda criança, participou como palestrante de um evento sobre Pedagogia Social na Universidade Federal Fluminense (UFF). No ano seguinte, recebeu a Medalha Pedro Ernesto por sua trajetória na educação. Aos 8 anos, tornou-se a pessoa mais jovem a receber a maior honraria concedida pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro.
Família passou a viver em abrigos
Depois de perderem a moradia e passarem por dificuldades financeiras e familiares, ele e a mãe começaram a viver em unidades de acolhimento público. Desde o início deste ano, os dois já passaram por vários abrigos.
A situação também afetou os estudos de Alvinho. Ele havia conseguido uma bolsa integral em uma escola particular de Cabo Frio, na Região dos Lagos, mas precisou deixar a cidade quando a família retornou ao Rio de Janeiro.
Agora a mãe tenta reorganizar a vida para que o filho possa retomar os estudos.
História criou corrente de solidariedade
Depois que a situação do menino superdotado ganhou repercussão, uma rede de ajuda começou a se formar.
A família recebeu doações, ofertas de bolsas em escolas particulares e propostas de apoio para que o garoto continue desenvolvendo suas habilidades.
A Mensa Brasil também entrou em contato. Alvinho já havia sido associado à organização, mas estava com o cadastro inativo. A entidade agora avalia formas de reinseri-lo na comunidade e oferecer suporte.
O primeiro passo foi levá-lo à Bahia.
Com ajuda da Mensa, ele foi para o AGzinho, um encontro anual dos Jovens Brilhantes da Mensa Brasil que reúne associados de 2 anos e meio a 17 anos, além de familiares e convidados.
Durante três dias, as crianças e adolescentes participam de oficinas, desafios cognitivos, experiências de robótica e ciência, palestras, atividades culturais e momentos de lazer.
A ideia é também permitir que jovens superdotados convivam com outras crianças com interesses e experiências semelhantes.
Neste ano, a programação acontece entre Salvador e Lauro de Freitas e inclui desde oficinas sobre criatividade, física e robótica até astronomia, cubo mágico e atividades culturais.
Alvinho também foi convidado a participar do relançamento de seu livro durante o encontro.
Cercado de conhecimento, desafios e outras crianças tão curiosas quanto ele, a expectativa agora é que algo aconteça para ajudar a melhorar o futuro dele e da mãe.

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