De vendedor de bananas a estudante de Medicina: indígena mostra como vida mudou após aprovação em primeiro lugar; vídeo

De vendedor de bananas no interior do Amazonas a indígena estudante de Medicina. Janilson Silva dos Anjos, que passou em primeiro lugar entre os candidatos indígenas para o curso de Medicina da Universidade Federal do Pará (UFPA), publicou um vídeo nesta semana mostrando a trajetória que percorreu até chegar à universidade e como a vida mudou desde então.
Nas imagens, Janilson reúne fotos e vídeos da infância, dos pais, dos trabalhos que fez para sobreviver e dos primeiros meses como universitário. Ele lembra que chegou a caminhar 8 quilômetros por dia para conseguir estudar e que, anos depois, precisou deixar o interior do Amazonas para perseguir o sonho de ser médico.
“Eu estava exausto, deprimido, sozinho e não queria que ninguém soubesse”, contou ao relembrar um dos períodos mais difíceis. Foi nesse cenário que tomou uma decisão: faria faculdade.
Estudava depois do trabalho e com livros emprestados
Janilson é indígena Sateré-Mawé e cresceu na comunidade Aninga, em Boa Vista do Ramos, no interior do Amazonas. A família enfrentava dificuldades financeiras e, segundo ele, os pais já eram idosos e não tinham condições de trabalhar.
Para ajudar em casa, Janilson trabalhou vendendo bananas e outros produtos. O estudo precisava acontecer como fosse possível.
“Estudava no improviso depois do trabalho, sem internet, sem material escolar, livros emprestados”, recordou no vídeo.
O esforço o levou até uma conquista que mudou o rumo da história: Janilson ficou em primeiro lugar entre os candidatos indígenas aprovados para Medicina na UFPA, em Altamira, no Pará.
A história foi contada pelo Só Notícia Boa em agosto, quando a trajetória do jovem ganhou repercussão nas redes sociais.
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Doença da mãe marcou período difícil
Antes da aprovação, Janilson viveu outro momento que aparece no novo relato. Em 2025, a mãe adoeceu e ele sofreu por não ter condições financeiras de oferecer a ajuda que gostaria.
“Fiquei me culpando por não ter condições de cuidar dela”, contou.
Para estudar Medicina, ele também precisou deixar o interior do Amazonas e se mudar. A aprovação resolveu uma parte do sonho, mas trouxe um novo desafio: conseguir se manter longe de casa enquanto cursava uma graduação em período integral.
Janilson chegou a criar uma campanha para arrecadar recursos para a mudança e os primeiros meses em Altamira. A mobilização recebeu apoio de pessoas que conheceram a história dele.
Vídeo da rotina mudou novamente a trajetória
Já como indígena estudante de Medicina na Amazônia, Janilson decidiu começar a mostrar a própria rotina nas redes sociais.
Um desses vídeos ganhou uma proporção que ele não esperava. Janilson está com quase 300 mil seguidores no Instagram. A história começou a circular, chegou aos jornais e à televisão e fez com que milhares de pessoas conhecessem o estudante indígena.
A repercussão também abriu novas portas. Janilson passou a ser procurado por marcas, recebeu homenagens e viu surgirem oportunidades ligadas à trajetória acadêmica.
Ele também foi homenageado na Câmara dos Deputados, em Brasília. Em março de 2026, foi apresentado um Voto de Louvor em reconhecimento à trajetória do estudante indígena.
Novos capítulos
No vídeo publicado agora, Janilson intercala os momentos difíceis com imagens das conquistas que vieram depois. Entre elas estão registros ao lado dos pais, na universidade e em novas experiências acadêmicas.
O estudante também conta que iniciou um projeto de pesquisa em São Paulo, mais um passo na trajetória que começou muito longe dali, quando ainda precisava conciliar trabalho e estudo no interior do Amazonas.
Agora, ele quer continuar mostrando esse caminho nas redes sociais e convidou os seguidores a acompanharem os próximos capítulos até a realização do sonho de se tornar médico.
Veja o vídeo abaixo:
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