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Alunos de escola pública transformam casca de castanha em piso sustentável e vão a prêmio nacional

Lorena Fassina
02 / 10 / 2026 às 09 : 21
Ana Clara, Jarson Gabriel e João Ryan desenvolveram pavers com casca de castanha de caju na EREM Gil Rodrigues, em Vertentes (PE). - Foto: Divulgação/Samsung
Ana Clara, Jarson Gabriel e João Ryan desenvolveram pavers com casca de castanha de caju na EREM Gil Rodrigues, em Vertentes (PE). - Foto: Divulgação/Samsung

Três alunos de uma escola pública de Vertentes, no Agreste de Pernambuco, encontraram uma nova utilidade para um resíduo comum na região: a casca da castanha de caju. Ana Clara Tomás Bezerra, Jarson Gabriel da Silva Vieira e João Ryan Andrade Deniz criaram um piso sustentável com casca de castanha e chegaram à semifinal de uma competição nacional.

Os estudantes estão no 2º ano do ensino médio da Escola de Referência em Ensino Médio (EREM) Gil Rodrigues. O projeto, chamado “Pavers Sustentáveis a partir da Casca de Castanha de Caju”, está entre os 30 semifinalistas da 13ª edição brasileira do Solve for Tomorrow.

A ideia surgiu de um problema que os próprios alunos observaram na região. A produção de castanha gera grande quantidade de cascas, que podem acabar descartadas de forma inadequada e causar impactos no solo.

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Casca virou matéria-prima

Orientados pelo professor João Paulo da Silva, os estudantes visitaram comunidades e conversaram com trabalhadores ligados à produção da castanha para entender melhor o problema. Foi então que começaram a testar a casca triturada como parte da composição de pavers, peças usadas na pavimentação de calçadas, praças e outras áreas externas.

“Temos uma produção acentuada de castanha de caju na região e percebemos o impacto que o descarte da casca pode causar no solo”, explicou o professor João Paulo.

A equipe passou a desenvolver diferentes misturas para avaliar resistência, peso, formato e acabamento. Uma das propostas estudadas é produzir as peças sem o uso de forno tradicional, utilizando a exposição ao sol durante parte do processo para chegar a um piso sustentável com casca de castanha que seja mais leve, econômico e possa aproveitar um material que antes seria descartado.

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Projeto pode sair da escola

O trabalho ainda está em fase de testes. Amostras dos pavers foram enviadas para instituições parceiras, entre elas a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), para análises das características e da eficiência do material.

Os alunos também querem usar os primeiros protótipos em uma calçada da própria escola. A equipe chegou a desenvolver uma proposta visual para uma praça que poderia receber as peças. E a pesquisa acabou indo além do piso. Depois das conversas com produtores locais, estudantes e professor elaboraram uma proposta de projeto de lei voltada ao fortalecimento dos pequenos produtores e ao apoio tecnológico para quem trabalha com a castanha na região.

“Estamos fazendo os testes de resistência e planejando aplicar os pavers em uma calçada da própria escola. A ideia é que esse pequeno espaço seja uma demonstração de que a pesquisa pode sair da escola e chegar à comunidade”, contou João Paulo.

Entre os 30 semifinalistas

O projeto colocou a escola pernambucana entre as 30 equipes semifinalistas do Solve for Tomorrow Brasil 2026, iniciativa voltada a estudantes e professores da rede pública.

O programa trabalha com a abordagem STEM, que reúne conhecimentos de Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática para buscar soluções para problemas reais das comunidades.

A próxima etapa será em 16 de outubro, quando serão conhecidos os 10 projetos finalistas da edição. Os vencedores serão anunciados em dezembro.

Veja as fotos:

Alunos da EREM Gil Rodrigues, de Vertentes (PE), aparecem ao lado de uma TV da Samsung e da bandeira da escola durante participação no Solve for Tomorrow Brasil. Foto: Divulgação/Samsung
Alunos da EREM Gil Rodrigues, de Vertentes (PE), aparecem ao lado de uma TV da Samsung e da bandeira da escola durante participação no Solve for Tomorrow Brasil. Foto: Divulgação/Samsung
Ana Clara, Jarson Gabriel e João Ryan desenvolveram pavers com casca de castanha de caju na EREM Gil Rodrigues, em Vertentes (PE). Foto: Divulgação/Samsung
Ana Clara, Jarson Gabriel e João Ryan desenvolveram pavers com casca de castanha de caju na EREM Gil Rodrigues, em Vertentes (PE). Foto: Divulgação/Samsung
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