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Jovens são maiores campeões de votos nas eleições 2026; redes sociais explicam fenômeno

Rinaldo de Oliveira
05 / 10 / 2026 às 12 : 44
Nikolas Ferreira, Lucas Pavanato e Erika Hilton têm entre 28 e 33 anos, milhões de seguidores e foram os jovens campeões de votos nas Eleições 2026 - Fotos: reprodução/ Instagram
Nikolas Ferreira, Lucas Pavanato e Erika Hilton têm entre 28 e 33 anos, milhões de seguidores e foram os jovens campeões de votos nas Eleições 2026 - Fotos: reprodução/ Instagram

Os três deputados federais mais votados do Brasil nas eleições de 2026 têm algo em comum além das votações milionárias: são jovens campeões de votos que construíram boa parte da projeção política nas redes sociais. Nikolas Ferreira (PL-MG), de 30 anos, foi reeleito com 3.119.318 votos. Lucas Pavanato (PL-SP), de 28, recebeu 3.038.438. Erika Hilton (PSOL-SP), de 33 anos, veio em seguida, com 1.596.472 votos e se tornou a mulher mais votada da história para a Câmara dos Deputados.

Os números dos dois primeiros são ainda mais impressionantes porque quebraram o recorde histórico de votação para deputado federal, marca que pertencia a Eduardo Bolsonaro, que recebeu 1.843.735 votos em 2018, e perdeu o cargo. E tivemos outros jovens campeões de votos na direita e na esquerda também.

Em São Paulo, os cinco deputados federais mais votados têm menos de 40 anos: Pavanato, Erika Hilton, Sâmia Bomfim, Kim Kataguiri e Tabata Amaral. Eles representam campos políticos diferentes, o que mostra que o fenômeno não está restrito a uma única corrente ideológica, mas todos falam diariamente com seus seguidores nas redes.

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Bem mais jovens

Entre os deputados estaduais, a maior votação absoluta do Brasil foi de Eduarda Campopiano, de apenas 23 anos, em São Paulo: 1.956.205 votos. Ela recebeu quase 2 milhões de votos para a Alesp.

Ana Elisa (PT-MG), de 21 anos, foi eleita deputada federal com 524.219 votos. Ela ficou em 2º lugar em Minas Gerais, atrás apenas de Nikolas Ferreira, e foi a 7ª deputada federal mais votada do Brasil. Ana Elisa já tinha quase 1 milhão de seguidores nas redes antes da eleição e ganhou projeção produzindo conteúdo político e jurídico voltado principalmente para o público jovem.

E há outros: o deputado federal mais jovem eleito no país foi Alvinho Lira, de 20 anos, por Alagoas, e Sandro Filho, da Bahia, têm 21 anos.

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Etarismo político?

É cedo para afirmar se existe etarismo político ou eleitor querendo renovação.

O fato é que não existe uma única explicação para o resultado das urnas. Porém, um fator aparece com força: o domínio deles nas redes sociais.

Os maiores campeões de votos também estão entre os políticos brasileiros com maior presença digital e isso tem que ser levado em conta, principalmente porque não existe filtro nas redes e eles falam o que querem, certos ou não, o que nem sempre é seguro.

Muitos seguidores nas redes

Nikolas Ferreira chegou à eleição com 22,3 milhões de seguidores no Instagram, a maior audiência na plataforma entre todos os candidatos registrados em 2026.  Lucas Pavanato tinha aproximadamente 5,3 milhões de seguidores no Instagram às vésperas da eleição. Erika Hilton também estava entre os políticos de maior influência na plataforma.

Um levantamento da empresa Zeeng, que analisou 546 mil publicações de 3,1 mil políticos entre janeiro e junho deste ano, colocou Nikolas como o político brasileiro com maior média de interações por publicação no Instagram. Pavanato aparecia em terceiro e Erika Hilton em quarto.

Ou seja: os três primeiros colocados nas urnas também estavam entre os quatro políticos de maior influência digital medidos pelo levantamento. É uma coincidência difícil de ignorar.

Seguidores não significam votos

Isso não significa, porém, que milhões de seguidores se transformem automaticamente em milhões de votos. Há candidatos e celebridades com enormes audiências que não conseguem repetir o mesmo desempenho nas urnas.

Além disso, seguidores podem morar em estados diferentes daquele em que o candidato concorre — e, para deputado federal, o eleitor só pode votar em candidatos do próprio estado. O que as redes oferecem é outra coisa: exposição permanente.

Em vez de aparecer para o eleitor apenas durante a campanha eleitoral, políticos com forte presença digital conversam diariamente com milhões de pessoas por meio de vídeos, stories, transmissões e publicações. E muitas vezes fazem isso durante anos.

E o cansaço dos políticos tradicionais?

Outra hipótese levantada após o resultado é se parte do eleitorado estaria buscando nomes mais novos em lugar dos chamados “medalhões” da política.

Os resultados mostram renovação e votações expressivas de candidatos jovens, mas ainda não permitem afirmar que houve uma rejeição generalizada aos políticos mais velhos. A própria composição do eleitorado ajuda a colocar essa interpretação em perspectiva.

O Brasil não teve uma explosão de jovens votando em 2026. Ao contrário. Dados do Tribunal Superior Eleitoral mostram que a parcela de eleitores entre 21 e 34 anos caiu de 28,01% em 2022 para 25,85% neste ano. Já os brasileiros com 60 anos ou mais passaram de 21,02% para 23,60% do eleitorado.

Ou seja: o eleitorado envelheceu, enquanto alguns dos maiores fenômenos eleitorais ficaram mais jovens.

Direita e esquerda

Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato construíram enormes audiências à direita. Erika Hilton tornou-se um dos principais fenômenos digitais da esquerda. Os três chegaram às urnas com milhões de pessoas já acompanhando o que dizem e fazem.

As eleições de 2026 ainda precisam ser estudadas com profundidade para explicar o peso exato das redes sociais no voto e como está acontecendo essa renovação política no Brasil.

O fato é que, entre os grandes campeões de votos para a Câmara, a popularidade política e a influência digital caminharam lado a lado.

Ana Elisa (PT-MG), de 21 anos, foi eleita deputada federal com 524.219 votos. Defende pautas como o fim da escala de trabalho 6x1. - Foto: reprodução/ Instagram
Ana Elisa (PT-MG), de 21 anos, foi eleita deputada federal com 524.219 votos. Defende pautas como o fim da escala de trabalho 6×1. – Foto: reprodução/ Instagram
Eduarda Campopiano, (PL-SP), de 23 anos, teve 1.956.205 votos para a Alesp. Ela é contrária ao feminismo. - Foto: reprodução / Instagram
Eduarda Campopiano, (PL-SP), de 23 anos, teve 1.956.205 votos para a Alesp. Ela é contrária ao feminismo. – Foto: reprodução / Instagram
Nikolas Ferreira, Lucas Pavanato e Erika Hilton têm entre 28 e 33 anos, milhões de seguidores e foram os jovens campeões de votos nas Eleições 2026 - Fotos: reprodução/ Instagram
Nikolas Ferreira, Lucas Pavanato e Erika Hilton têm entre 28 e 33 anos, milhões de seguidores e foram jovens campeões de votos nas Eleições 2026 – Fotos: reprodução/ Instagram
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