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Jovem de 25 anos é a primeira quilombola aprovada no concurso para diplomata no Brasil

Lorena Fassina
15 / 10 / 2026 às 13 : 24
Helen Jaine Gomes Borgens, de 25 anos, é a primeira quilombola aprovada no concurso para a carreira diplomática no Brasil. - Fotos: Reprodução/Arquivo Pessoal/UFG
Helen Jaine Gomes Borgens, de 25 anos, é a primeira quilombola aprovada no concurso para a carreira diplomática no Brasil. - Fotos: Reprodução/Arquivo Pessoal/UFG

Aos 25 anos, a jovem Helen Jaine Gomes Borgens fez história como a primeira quilombola aprovada no concurso para diplomata no Brasil. Da comunidade quilombola do Retiro, em Simolândia (GO), ela conquistou uma vaga na carreira diplomática e agora seguirá para a formação no Instituto Rio Branco.

A conquista é ainda mais simbólica porque o concurso de 2026 foi o primeiro da carreira diplomática a reservar vagas específicas para pessoas quilombolas e indígenas. Das 60 oportunidades oferecidas, apenas uma era destinada a candidatos quilombolas, justamente a vaga conquistada por Helen.

A quilombola aprovada para diplomata estudou em escola pública, se formou em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Goiás (UFG), e enfrentou dificuldades para se preparar para um dos concursos mais concorridos do país. No interior de Goiás, por exemplo, Helen conta que precisou aprender boa parte do inglês sozinha por falta de acesso a professores especializados. “Era eu e Deus”, resumiu a jovem ao lembrar o período de preparação.

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Da escola pública ao Instituto Rio Branco

Helen nasceu em Goiânia, mas cresceu ligada à comunidade do Retiro, em Simolândia, no nordeste de Goiás. Ela estudou no Colégio Estadual Elvira Leão Barreto e passou boa parte da infância perto dos familiares que vivem na região quilombola.

A maior inspiração nos estudos veio de dentro de casa. Helen aponta a avó, Brasilina Duques Borges, conhecida como Dona Miúda, como uma das principais responsáveis pela valorização da educação na família.

A avó incerntivou os sete filhos a estudarem, e todos chegaram ao ensino superior. Anos depois, esse exemplo também ajudaria Helen a seguir um caminho acadêmico que parecia distante da realidade em que havia crescido.

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Quase desistiu da carreira

A vontade de ser diplomata apareceu ainda em 2017, depois do incentivo de um professor de História durante um cursinho preparatório para o Enem. Naquele momento, porém, Helen enxergava a diplomacia como um sonho distante.

Já na graduação em Relações Internacionais da UFG, ela chegou a pensar em abandonar o curso. Foi a mãe quem pediu que a filha insistisse por mais um semestre.

Nesse período, Helen cursou a disciplina de Política Externa Brasileira e voltou a se interessar pela diplomacia. Em 2025, concluiu a graduação, retornou para Simolândia e passou a se dedicar à preparação para o Concurso de Admissão à Carreira Diplomática, o CACD.

A prova exige conhecimentos de português, história do Brasil e mundial, geografia, inglês, política internacional, economia e direito, além de questões discursivas e uma segunda língua estrangeira.

Conquista histórica

Em 12 de maio de 2026, veio a aprovação. Helen se tornou a primeira quilombola aprovada no concurso que seleciona os futuros diplomatas brasileiros. Para Helen, ser a primeira quilombola aprovada para diplomata também significa abrir caminho para que outros jovens quilombolas ocupem esses espaços.

Agora, ela deverá passar pelo curso de formação do Instituto Rio Branco, academia diplomática ligada ao Ministério das Relações Exteriores. A preparação dura de três a quatro semestres e inclui, na etapa final, um estágio prático no Itamaraty.

Depois da conclusão, os aprovados iniciam a carreira como terceiros-secretários, primeiro posto da hierarquia diplomática brasileira.

Para Helen, ocupar esse espaço também significa representar uma parte do Brasil que historicamente teve pouca presença em ambientes como a diplomacia.

Sonho de ser embaixadora

Depois de conquistar a vaga histórica, Helen conta que ainda tem muitos planos pela frente. A prioridade, segundo ela, é se tornar uma boa diplomata e representar a diversidade brasileira no trabalho que fará dentro e fora do país.

Mas, quando pensa no futuro, existe um sonho maior: chegar ao posto de embaixadora.

Helen Jaine Gomes Borgens, de 25 anos, é a primeira quilombola aprovada no concurso para a carreira diplomática no Brasil. - Fotos: Reprodução/Arquivo Pessoal/UFG
Helen Jaine Gomes Borgens, de 25 anos, é a primeira quilombola aprovada no concurso para a carreira diplomática no Brasil. – Fotos: Reprodução/Arquivo Pessoal/UFG
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