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Brasil reduz trabalho infantil em 600 mil crianças e adolescentes e atinge menor nível da história

Rinaldo de Oliveira
17 / 10 / 2026 às 11 : 42
Pesquisa do IBGE mostra queda de 28,6% em nove anos. Só em 2025, outras 151 mil crianças e adolescentes deixaram essa condição, principalmente em famílias do Bolsa Família. - Foto: reprodução/ Jusbrasi
Pesquisa do IBGE mostra queda de 28,6% em nove anos. Só em 2025, outras 151 mil crianças e adolescentes deixaram essa condição, principalmente em famílias do Bolsa Família. - Foto: reprodução/ Jusbrasi

O Brasil conseguiu reduzir o trabalho infantil, nos últimos nove anos, em aproximadamente 600 mil crianças e adolescentes. A queda foi de 28,6% entre 2016 e 2025, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (16). É o menor número registrado desde o início da série histórica, em 2016, mas o governo ainda tem muito o que fazer.

Segundo os dados mais recentes do IBGE, 1,499 milhão de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos ainda estão em situação de trabalho infantil no Brasil. Isso corresponde a 4% da população brasileira nessa faixa etária. A pesquisa mostra que o país passou de aproximadamente 2,1 milhões de crianças e adolescentes explorados pelo trabalho, em 2016, para 1,499 milhão em 2025. A proporção da população de 5 a 17 anos nessa condição também diminuiu, de 5,2% para 4%.

A redução ganhou força no último ano analisado. De 2024 para 2025, 151 mil crianças e adolescentes saíram da condição de trabalho infantil, uma queda de 9,2%. Desse total, 144 mil viviam em famílias beneficiadas pelo Bolsa Família, o equivalente a mais de 95% da redução nacional. Os números reforçam a importância da proteção social no enfrentamento da exploração infantil.

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Bolsa Família tem papel importante na redução

O levantamento revelou que o trabalho infantil diminuiu de forma mais acentuada entre crianças e adolescentes de famílias que recebem o Bolsa Família. Em 2024, havia 717 mil crianças e adolescentes nessa situação entre as famílias beneficiadas. Em 2025, o número caiu para 573 mil, redução de 20,1% em apenas um ano.

A melhora também aparece na comparação histórica. Em 2016, 7,3% das crianças e adolescentes de famílias atendidas pelo programa estavam em situação de trabalho infantil. Em 2025, o percentual diminuiu para 4,4%.

O IBGE observou que, apesar da renda média dessas famílias ser inferior à das não beneficiadas, a redução do trabalho infantil foi mais rápida nesse grupo. O resultado é compatível com a importância de políticas de transferência de renda associadas à proteção social e à permanência na escola.

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As regiões do trabalho infantil

O trabalho infantil ainda atinge diferentes regiões brasileiras.

Em números absolutos, o Sudeste concentrava o maior contingente em 2025, com 481 mil crianças e adolescentes, seguido pelo Nordeste, com 408 mil.

Proporcionalmente, a situação era mais grave no Norte, onde 6,3% da população de 5 a 17 anos estava nessa condição. No Sudeste, o percentual era de 3,3%.

Queda também ocorre nas atividades mais perigosas

Outra notícia positiva é que o Brasil também conseguiu reduzir o número de crianças e adolescentes submetidos às piores formas de trabalho infantil. Essas atividades incluem ocupações perigosas, insalubres ou prejudiciais ao desenvolvimento físico e psicológico, classificadas na Lista das Piores Formas de Trabalho Infantil, conhecida como Lista TIP.

Em 2025, o número de pessoas entre 5 e 17 anos nessas atividades chegou a 525 mil, o menor patamar da série histórica.

A pesquisa também identificou que todas as faixas etárias analisadas registraram os menores percentuais de trabalho infantil desde 2016.

Trabalho infantil ainda prejudica a educação

Apesar da redução, quase 1,5 milhão de crianças e adolescentes continuam submetidos ao trabalho infantil no Brasil. A situação é especialmente preocupante entre os adolescentes de 16 e 17 anos. Nessa faixa etária, 14,5% estavam em situação de trabalho infantil em 2025.

A escolarização também sofre consequências. Entre os adolescentes dessa idade submetidos ao trabalho infantil, 79,6% frequentavam a escola. Na população total de 16 e 17 anos, a frequência escolar era de 89,6%.

Os dados mostram como a exploração do trabalho pode comprometer a formação educacional e reduzir oportunidades futuras.

O enfrentamento do problema envolve fiscalização, políticas de assistência social, combate à pobreza e acesso à educação.

Embora o país ainda esteja distante de eliminar essa forma de exploração, os resultados divulgados pelo IBGE mostram que houve uma redução expressiva ao longo de nove anos, principalmente entre as famílias socialmente mais vulneráveis.

Pesquisa do IBGE mostra queda de 28,6% em nove anos. Só em 2025, outras 151 mil crianças e adolescentes deixaram essa condição, principalmente em famílias do Bolsa Família. - Foto: reprodução/ Jusbrasi
Pesquisa do IBGE mostra queda de 28,6% em nove anos. Só em 2025, outras 151 mil crianças e adolescentes deixaram essa condição, principalmente em famílias do Bolsa Família. – Foto: reprodução/ Jusbrasi
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