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Ex-aluno doa rim, salva a vida da professora e os dois viram irmãos de coração

Rinaldo de Oliveira
19 / 10 / 2026 às 08 : 39
Ali, o ex-aluno doa rim para professora Sônia, que enfrentava insuficiência renal. A cirurgia foi realizada em Londres, criou uma amizade eterna e hoje eles inspiram pessoas para a doação de órgãos. - Foto: Ali Dawson / SWNS
Ali, o ex-aluno doa rim para professora Sônia, que enfrentava insuficiência renal. A cirurgia foi realizada em Londres, criou uma amizade eterna e hoje eles inspiram pessoas para a doação de órgãos. - Foto: Ali Dawson / SWNS

Um ex-aluno doa um rim e conseguiu salvar a vida da professora que o ajudou a construir a carreira. O gesto de Ali Dawson, hoje com 39 anos, mudou a vida de Sonia Leonardo, que enfrentava uma doença renal grave. O transplante foi realizado em Londres, na Inglaterra, e a história de solidariedade voltou a ganhar destaque neste mês de outubro porque os dois passaram a inspirar outras pessoas a doarem órgãos.

Ali conheceu Sonia quando estudava radiografia no King’s College Hospital. Anos depois, ao descobrir pelas redes sociais que a antiga professora precisava de um transplante, decidiu oferecer um dos rins. Os exames mostraram que ele era compatível e a cirurgia foi realizada em 30 de maio de 2017, no Guy’s Hospital.

“Ali é um anjo na Terra. Tive muita sorte de ter Ali na minha vida. Eu não estaria onde estou hoje sem ele. Ele fez uma diferença enorme na minha vida. Devo tudo a ele”, agradeceu a professora Sonia Leonardo

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Descobriu a doença pelas redes sociais

Sonia, que é de Portugal, sofria de doença renal policística, uma condição hereditária que provoca o surgimento de cistos nos rins e pode comprometer o funcionamento desses órgãos. Em 2016, o quadro dela havia se agravado. A professora precisava fazer diálise várias vezes ao dia e aguardava um doador compatível.

Em 2016, os médicos deram a triste notícia de que ela precisava começar a fazer diálise imediatamente e, sem familiares ou amigos compatíveis, a professora foi colocada na lista de espera por um doador falecido.

“A situação evoluiu muito rápido para insuficiência renal. É muito difícil lidar com a realidade, você chora porque é difícil aceitar isso. Eu pensava que isso era algo que eu enfrentaria aos 60 anos, não antes dos 40″, lembrou.

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Professora ficou surpresa com a oferta

Ali não tinha contato frequente com Sonia havia alguns anos. Foi uma publicação da irmã dela no Facebook que chamou a atenção dele. Preocupado, o ex-aluno entrou em contato para saber o que estava acontecendo. Ao descobrir a gravidade da situação, perguntou se Sonia já havia encontrado um doador.

A professora respondeu que ainda aguardava um transplante. Ali, então, ofereceu um dos rins. Inicialmente, Sonia resistiu à proposta porque achava Ali muito jovem para passar por uma cirurgia daquele porte. Mas ele estava decidido a ajudar.

Os dois descobriram que tinham o mesmo tipo sanguíneo, O, e Ali iniciou os exames necessários para avaliar a compatibilidade. Os resultados confirmaram que ele poderia ser o doador. “Os médicos disseram que ficaram surpresos com a nossa compatibilidade. Ela é de Portugal e eu sou do Irã, e normalmente, pessoas da mesma etnia são mais compatíveis”, contou Ali.

Ganhou prêmio

O ex-aluno contou que a vontade de ajudar surgiu imediatamente, assim que soube da necessidade do transplante porque ele foi treinado em radiografia por Sonia, de 51 anos, por volta de 2010 no King’s College Hospital em Londres, e diz que ela foi a melhor professora que ele já teve. Hoje, ele é técnico em radiologia diagnóstica graças a ela.

O procedimento deu certo. Sonia recuperou a função renal e ficou tão grata que chegou a dar um apelido carinhoso ao órgão transplantado: “Mini Ali”. Agora, além de ter um pedaço do ex-aluno no corpo, a professora não depende mais de diálises pra sobreviver.

A experiência fortaleceu uma amizade que permanece muito além da relação entre professora e aluno. Depois da atitude que teve, Ali passou a atuar como defensor da doação de órgãos em vida. Em 2023, ele ganhou um prêmio da Sociedade Britânica de Transplantes pelo trabalho voluntário de conscientização.

Uma amizade para a vida inteira

Os dois decidiram compartilhar agora a história com final feliz para mostrar a importância da doação de órgãos e incentivar outras pessoas a conhecer o processo.

Ali afirmou que doar o rim foi uma das experiências mais felizes da vida dele.

E da professora também.

Ali, o ex-aluno que doou um rim para a professora Sônia, na época da cirurgia. - Foto: : Ali Dawson / SWNS
Ali, o ex-aluno que doa um rim para a professora Sônia, na época da cirurgia. – Foto: : Ali Dawson / SWNS
Ali Dawson hoje, como técnico em radiologia diagnóstica graças à professora que o encaminhou na profissão. - Foto: Ali Dawson / SWNS
Ali Dawson hoje, como técnico em radiologia diagnóstica graças à professora que o encaminhou na profissão. – Foto: Ali Dawson / SWNS
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