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Flávio faz ataque capacitista a Lula no debate da Globo e é obrigado a se desculpar em público: vídeo

Rinaldo de Oliveira
24 / 10 / 2026 às 09 : 29
No ataque capacitista, o Senador Flávio Bolsonaro ironizou o dedo perdido por Lula em acidente de trabalho. O Presidente exigiu respeito aos trabalhadores e a reação viralizou nas redes sociais com a hashtag #somostodos9dedos. - Fotos: reprodução/ TV Globo
No ataque capacitista, o Senador Flávio Bolsonaro ironizou o dedo perdido por Lula em acidente de trabalho. O Presidente exigiu respeito aos trabalhadores e a reação viralizou nas redes sociais com a hashtag #somostodos9dedos. - Fotos: reprodução/ TV Globo

Pegou muito mal para Flávio Bolsonaro (PL) o ataque capacitista que fez contra o presidente Lula (PT) durante o debate da TV Globo, na noite desta sexta-feira (23). O senador usou a expressão “nove dedos” para ironizar e zombar da deficiência física do adversário, que perdeu o dedo mínimo da mão esquerda em um acidente de trabalho aos 17 anos. Flávio se esqueceu que o Brasil tem mais de 14 milhões de brasileiros com deficiência e a fala desastrosa dele pode custar muitos votos a menos neste segundo turno.

Lula reagiu com indignação, exigiu respeito e Flávio teve que pedir desculpas ao vivo. Assista abaixo. O episódio provocou críticas nas redes sociais. Internautas acusaram Flávio de capacitismo, preconceito contra pessoas com deficiência. A hashtag #SomosTodos9Dedos, impulsionada pelo deputado André Janones, chegou ao quinto lugar entre os assuntos mais comentados do X, antigo Twitter.

A discussão também chamou atenção para uma realidade brasileira: acidentes de trabalho continuam provocando amputações e outras lesões graves. Segundo o Ministério Público do Trabalho (MPT), 4,6 mil afastamentos por amputações foram registrados no país em 2024. O número aumentou 6% em relação ao ano anterior.

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Flávio Bolsonaro e o ataque capacitista a Lula

A declaração foi feita durante uma discussão sobre salário mínimo, impostos e a proposta de tarifa zero no transporte público aos fins de semana.

Flávio criticava a política econômica do governo Lula e afirmava que os reajustes salariais eram insuficientes diante da carga tributária. “Você dá com uma mão e tira com os nove dedos”, afirmou o senador.

Flávio adaptou de forma irônica e maldosa a expressão popular “dar com uma mão e tirar com a outra”. O trocadilho cheio de sarcasmo fazia referência à amputação sofrida por Lula em 1964, quando trabalhava como torneiro mecânico em uma fábrica de São Paulo.

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Lula reage e exige desculpas

O presidente não deixou a provocação passar. Quando teve oportunidade de responder, Lula interrompeu a discussão econômica para cobrar respeito à trajetória dos trabalhadores brasileiros. “Ele disse uma grande asneira e eu não vou levar para casa. Ele me chamou de nove dedos”, afirmou.

Lula lembrou que sofreu o acidente aos 17 anos, quando trabalhava à noite em uma fábrica, e relacionou a perda do dedo às condições enfrentadas por trabalhadores brasileiros. O presidente também chamou Flávio de “miliciano”, uma acusação feita no contexto do confronto político, e exigiu que o senador se desculpasse.

“Você vai ter que pedir desculpa. Porque o povo trabalhador está vendo”, cobrou Lula. Flávio ficou sem saída e teve que recuar.

Flávio pede desculpas públicas

Depois da cobrança de Lula, Flávio Bolsonaro teve que desculpar.

“Lula, se eu te ofendi, eu te peço desculpa de verdade. Não queria te ofender. Peço desculpa de verdade”, declarou.

Mas logo saiu do assunto e disse que Lula deveria um pedido de desculpas à população brasileira, citando o aumento da população em situação de rua. Assunto que puxou rapidamente e usou como cortina de fumaça para tentar apagar o bullying que tinha acabado de fazer.

Capacitismo gera críticas nas redes sociais

A expressão utilizada por Flávio foi classificada como capacitista por internautas que acompanharam o debate. Capacitismo é o preconceito ou a discriminação contra pessoas com deficiência. Pode aparecer em atitudes, palavras, piadas e apelidos que utilizam características físicas para ridicularizar alguém.

E Flávio, que é um senador da República, usou a perda de um dedo em um acidente de trabalho como instrumento de ataque político. A repercussão foi rápida e levou a hashtag #SomosTodos9Dedos ao quinto lugar entre os assuntos mais comentados do X.

O movimento foi impulsionado por André Janones e por apoiadores de Lula que criticaram o uso da deficiência física como motivo de deboche. A repercussão mostra que o episódio ultrapassou a discussão entre os dois candidatos e abriu espaço para um debate sobre respeito às pessoas com deficiência.

Brasil tem 14,4 milhões de pessoas com deficiência

O bater de forma baixa e grosseira em Lula, Flávio atingiu diretamente 14,4 milhões de pessoas com deficiência no Brasil, segundo os dados do Censo 2022 divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2025.

Isso representava 7,3% da população brasileira com dois anos ou mais de idade.

O levantamento considera diferentes dificuldades funcionais, como limitações para enxergar, ouvir, caminhar, pegar objetos e realizar atividades cotidianas.

Acidentes de trabalho provocam milhares de amputações

Os números do Ministério Público do Trabalho ajudam a compreender por que a reação de Lula trouxe a questão dos acidentes de trabalho para o centro do debate.

Entre 2012 e 2024, o Brasil registrou 8,8 milhões de acidentes de trabalho e 32 mil mortes entre trabalhadores com carteira assinada, segundo o Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho, desenvolvido pelo MPT e pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). Somente em 2024, foram registrados 4,6 mil afastamentos por amputações, contra aproximadamente 4,4 mil em 2023.

O levantamento também identificou que acidentes envolvendo máquinas e equipamentos estão associados a lesões especialmente graves, incluindo amputações. São trabalhadores que podem enfrentar cirurgias, reabilitação, mudanças na rotina profissional e dificuldades para retornar ao mercado de trabalho.

Respeito a quem perdeu parte do corpo trabalhando

A repercussão da fala capacitista de Flávio Bolsonaro trouxe novamente à discussão o preconceito contra pessoas com deficiência e a necessidade de respeito às vítimas de acidentes.

Embora não exista um levantamento que mostre quantas pessoas com deficiência se sentiram ofendidas pela declaração, as críticas registradas nas redes sociais demonstram que a provocação de Flávio indignou inclusive pessoas que não são eleitoras de Lula.

Apesar do pedido de desculpas o bullying de Flávio deixou uma discussão que vai além da disputa eleitoral: características físicas e sequelas de acidentes não devem ser utilizadas para humilhar nem desqualificar as pessoas.

Assista ao vídeo em que Lula cobra desculpas de Flávio Bolsonaro pelo ataque capacitista:

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