Novo combustível limpo, feito com ar e água, é criado por cientistas britânicos

3031
posto_combustivel
posto_combustivel
Uma pequena empresa britânica, a Air Fuel Synthesis, com sede no norte da Grã-Bretanha, anunciou ter produzido um combustível a partir de ar e água.
Mais precisamente, o novo combustível nasce a partir de hidrogênio extraído de vapor d’água e gás carbônico – substância que costuma ser responsabilizada pelas mudanças climáticas.
A novidade atraiu a atenção da imprensa britânica, principalmente depois de ter sido respaldada pela sociedade de engenheiros Institution of Mechanical Engineers, de Londres.

“Cientistas transformaram ar em combustível”, anunciou o jornal Independent.

Citando especialistas britânicos, o Daily Telegraph classificou a descoberta como “revolucionária”.
Para o tabloide Daily Mail, ela “promete resolver a crise energética global.”
A tecnologia envolvida nesse processo consiste em extrair dióxido de carbono do ar e hidrogênio do vapor d’água (por eletrólise) e, em seguida, combinar as duas substâncias em uma câmera de alta temperatura.
O processo produz metanol, que é então processado para virar combustível.
A tecnologia não é inteiramente nova. Ela já vinha sendo pesquisada por laboratórios de diversos países, entre eles o Centro de Tecnologia Industrial Tokushima, no Japão, e o Centro de Estudos de Materiais Freiburg, na Alemanha.
Os resultados da Air Fuel Synthesis, porém, chamaram a atenção porque a empresa conseguiu criar um pequeno protótipo de refinaria no qual a produção é feita de forma constante. Mas produziu desde agosto apenas cinco litros de combustível.
Agora, ela está começando a construir uma instalação maior com a intenção de produzir, em dois anos, uma tonelada dessa gasolina por dia. E segundo o diretor da empresa, Peter Harrison, a ideia é erguer, em até 15 anos uma refinaria em escala comercial.
“Podemos mudar a economia de um país permitindo que ele produza seu próprio combustível”, explicou Harrisson ao Independent o diretor da Air Fuel Synthesis.
Mas nem todos estão tão entusiasmados com a iniciativa. O engenheiro químico e especialista em energia limpa Paul Fennell, do Imperial College London, é um dos céticos.
Ele explica que, para levar adiante o processo de produção de combustível a partir de dióxido de carbono e vapor d’água é preciso gastar uma grande quantidade de energia elétrica.
“Trata-se de um processo custoso e que não compensa esse gasto de energia”, opinou Fennell em entrevista à BBC Brasil.
Com informações da BBC.