Muçulmano salva 2 mulheres durante ataque em Paris

Um muçulmano salvou 2 mulheres durante os atentados da sexta-feira 13 em Paris.
Quando o tiroteio começou Safer estava trabalhando no bar do restaurante Casa Nostra, um dos locais escolhidos como alvo dos ataques.
Muçulmano de origem argelina, ele arriscou sua vida para salvar as duas mulheres, enquanto homens que diziam representar sua fé provocavam as mortes.
“Eu estava no caixa. Ouvimos as explosões – foram realmente altas”, conta ele.
“Todo mundo começou a berrar, caía vidro em cima da gente. Foi horrível. Havia vidro por toda parte, machucando nosso rosto”, disse Safer, que não quis ter seu sobrenome divulgado.
“Eu vi que duas mulheres do lado de fora haviam sido atingidas. Uma no pulso e outra no ombro. Elas estavam sangrando muito.”
Apesar do perigo evidente, Safer diz que precisava ajudar. Ele esperou uma pausa nos tiros e correu para o lado de fora.
“Peguei as duas e corri com elas para o porão. Sentei com elas e tentei estancar o sangramento.” “A gente ainda ouviu mais tiros lá em cima. Foi apavorante.”
“Quando saímos vimos os corpos nas ruas. Havia muita gente ferida.” Cinco pessoas morreram no ataque ao restaurante Casa Nostra.
Safer mora no 11º distrito de Paris, mesmo bairro do Casa Nostra, uma área onde vivem muitos muçulmanos e pessoas de origem árabe.
Criminosos
Apesar de o grupo extremista autodenominado “Estado Islâmico” ter assumido a autoria dos atentados que deixaram pelo menos 129 mortos e 350 feridos, ele diz que os atentados não têm relação com o islamismo.
“Isso não tem nada a ver com religião”, disse ele. “Muçulmanos de verdade não são feitos para matar pessoas”, afirma. “Esses (que fizeram os ataques) são apenas criminosos”.
De certa forma, sua história se assemelha a de Lassana Bathily, um jovem imigrante do Mali que escondeu um grupo de fregueses assustados quando um mercado kosher foi atacado em janeiro, no mesmo dia do ataque à redação do jornal Charlie Hebdo.
Nojo
No 18º distrito, um dos principais locais de concentração de população muçulmana de Paris, a raiva é palpável.
“Não somos como eles”, diz Jamal, de 44 anos. “Não temos nada a ver com eles. Estamos com nojo”, disse.
Ele também está preocupado com o impacto mais amplo dos ataques sobre a comunidade muçulmana.
“Os franceses não nos aceitam”, diz.
O papel do islamismo na França é um tema frequente no debate público e, quando foi revelado que cidadãos franceses foram responsáveis pelos ataques ao Charlie Hebdo no início do ano, surgiram questões sobre a vida de jovens muçulmanos no país.
Com informações da BBC

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