Idosa volta a estudar aos 81 anos para realizar um sonho

Uma idosa, que não pôde estudar quando era criança, está correndo atrás do sonho dela. Há três anos, a aposentada Adélia Domingues tomou a decisão de se voltar à escola. Ela está com 81 anos.
Adélia mora em Florianópolis, Santa Catarina, e sempre quis escrever sua autobiografia.
“A gente cresceu numas fazendas no interior que não tinha onde ir para escrever e ler”. “Meu sonho era contar a minha história. Porque eu acho uma história muito boa”, contou a aposentada.
Ela interrompeu os estudos aos 14 anos para continuar trabalhando na cozinha de uma fazenda.
Com o passar dos anos, voltar a estudar ficou ainda mais difícil, principalmente depois de se casar e ter filhos.
Hoje, viúva e mãe de onze filhos – nove deles vivos – Dona Adélia mora sozinha no bairro Rio Vermelho, no Norte da Ilha e sai às 7h de casa para enfrentar a rotina diária dos estudos.
4 ônibus por dia
Dona Adélia pega dois ônibus pra chegar na escola: um no Rio Vermelho – sempre lotado – e outro no Terminal da Lagoa, também cheio.
Ela estuda no Núcleo de Estudos da Terceira Idade, unidade que fica na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Ali, Adélia frequenta o EJA, o programa de Educação de Jovens e Adultos da prefeitura da capital.
Os professores elogiam. “Ela é uma aluna realmente exemplar porque ela está sempre aqui todos os dias com muita energia, muita disposição, compartilhando as suas experiências, que é o que a gente valoriza aqui também”, disse André Marcelino.
“É uma oportunidade para tu manteres a tua cabeça em movimento, trazer informação, trazer alegria para o teu dia a dia. Poder escrever, para quem não teve a oportunidade de se alfabetizar quando jovem, escrever sobre a sua história e deixar isso para os seus familiares é o sonho dela. E ela vai conseguir fazer isso”, disse outra professora, Marilucia Marques.
Para o futuro, Dona Adélia planeja terminar os estudos no final do ano, e quem sabe pensar em uma graduação.
Por enquanto, a ideia inicial de escrever a autobiografia foi engavetada, mas a vontade de estudar não deixou de existir.
Com informações do NorteDaIlha

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