Endometriose: doação anônima paga cirurgias a carentes

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Joseane antes e depois da cirurgia - Fotos: arquivo pessoal/reprodução Youtube
Joseane antes e depois da cirurgia - Fotos: arquivo pessoal/reprodução Youtube

Um empresário de Minas Gerais doou secretamente R$ 600 mil para um projeto incrível que opera de graça mulheres carentes que sofrem com endometriose.

A doença invisível, que afeta órgãos internos inferiores das mulheres, como rins, bexiga e intestinos, atinge 6 milhões de brasileiras – de acordo com a Associação Brasileira de Endometriose.

“Peritônio e o ovário são os principais tecidos atingidos, mas pode ocorrer também comprometimento intestinal entre 5 % a 12%, alcançar 16% em mulheres assintomáticas e até 30% em mulheres inférteis”.

A explicação é da Dra. Helizabet Salomão, chefe do setor de Endoscopia Ginecológica e Endometriose da Santa Casa de São Paulo, professora da Pós-graduação na instituição e fundadora do Proendo, projeto que busca dinheiro na iniciativa privada para fazer as cirurgias sem custo para as pacientes.

Dores e baixa autoestima

As mulheres com endometriose sofrem com cólicas fortes, dores nas relações sexuais, sangramento, fadiga, problemas no intestino e infertilidade.

É o caso da viúva e auxiliar de limpeza, Joseane Maria Castro da Silva (foto acima), de 46 anos, que mora na periferia da zona norte de São Paulo. Ela foi a primeira a ser operada, no mês passado, com o dinheiro da doação anônima.

Joseane se tornou uma pessoa triste, sem vontade de viver, depois de uma cirurgia de emergência feita há três anos, quando os médicos da Santa Casa de São Paulo tiveram de fazer nela uma colostomia, por causa dos intestinos comprometidos pela endometriose.

Depois da operação, a auxiliar de limpeza precisou andar com uma bolsa plástica, ligada ao corpo, para recolher as fezes do organismo. Na época Joseane estava com 43 anos.

Sua única saída seria uma cirurgia, que custa em média R$ 15 mil reais.

Beneficiadas

Sem dinheiro para pagar, Joseane e mais 249 mulheres estão na fila de espera da Santa Casa de São Paulo para fazer a operação.

Este ano, entretanto, a fila andou graças à doação de R$ 600 mil de uma empresa mineira para o Proendo, programa que atende mulheres há cinco anos e busca recursos com empresários para agilizar as cirurgias.

“Esta é a primeira vez que recebemos uma doação desse tamanho, que agora nos garante operar mais 39 mulheres com esses recursos. Escolhemos Joseane porque realmente o caso dela era o mais grave de todos”, explica.

“A empresa que fez a doação não quer se identificar, mas a gente quer que eles saibam que com esses recursos, estamos já promovendo a mudança na vida dessas mulheres”.

As outras mulheres da fila farão as cirurgias gratuitamente a partir deste mês.

Emoção

Joseane se emociona ao assistir ao vídeo que foi gravado no dia de sua internação. (assista abaixo)

Hoje ela está cheia de planos e o que mais faz é agradecer à empresa que fez a doação e aos médicos que a atenderam.

“Agora eu quero recuperar o tempo perdido, quando eu não tinha ânimo de sair de casa usando aquela “bolsinha”.

“A colostomia acabou com a minha vida neste período e hoje, quando acordo de manhã, às vezes me custa acreditar que me livrei daquilo, e isso só me deixa muito feliz e grata”, conclui Joseane. (vídeo abaixo)

Proendo*

O programa Proendo, criado pela Profa. Dra. Helizabet Salomão, é uma iniciativa social de conscientização e inclusão do diagnóstico e tratamento da endometriose profunda.

Ele reúne na Santa Casa de São Paulo uma equipe multidisciplinar formada porginecologistas, nutricionista, fisioterapeutas, psicóloga e outros profissionais médicos no apoio e tratamento de mulheres portadoras da doença.

“Desde que o Proendo foi lançado, realizávamos até 10 cirurgias anuais com recursos de doações de empresas como essa”, explica.

“O Proendo foi lançado para ajudar mulheres a conseguir o tratamento adequado. Estima-se que de 7% da 10% da população feminina sofram com a doença”, conclui a Dra. Helizabet Salomão.

Vida nova

Veja os depoimentos de Joseane antes e depois da cirurgia.

Por Rinaldo de Oliveira, da redação do SóNotíciaBoa, com apoio de Sandra de Angelis.