Brasileiro chamado de louco plantou a própria floresta

Um homem tido como louco pelos vizinhos conseguiu plantar a própria floresta.
Ele tem 50 mil árvores em suas terras e a plantação fez a água voltar ao terreno, que tinha apenas uma fonte. Hoje tem cerca de 20.
O nome dele é Antonio Vicente, um filho de agricultores que decidiu ir na contramão do desmatamento.
Em 1973 ele comprou um terreno a 200 km de São Paulo. Eram 30 hectares em uma região de planície perto de São Francisco Xavier, distrito de 5 mil habitantes que faz parte de São José dos Campos, no interior do Estado.
Vicente via com preocupação como a expansão dos campos destruía as fauna e flora locais, e como a falta de árvores afetava os recursos hídricos.
“Quando era criança, os agricultores cortavam as árvores para criar pastagens e pelo carvão. A água secou e nunca voltou”, disse à BBC.
“Pensei comigo: ‘a água é o bem mais valioso, ninguém fabrica água e a população não para de crescer. O que vai acontecer? Ficaremos sem água.”
As florestas são fundamentais para a preservação da água porque absorvem e retém esta matéria-prima em suas raízes. Além disso, evitam a erosão do solo.
Louco?
“Quando comecei a plantar, as pessoas me diziam: ‘você não viverá para comer as frutas, porque essas árvores vão demorar 20 anos para crescer'”, conta.
“Eu respondia: ‘Vou plantar essas sementes, porque alguém plantou as que estou comendo agora. Vou plantá-las para que outros possam comê-las.”
Prestes a completar 84 anos, durante as últimas 4 décadas ele se dedicou a reflorestar sua propriedade.
Um quadro pendurado na parede da casa de Vicente serve de lembrança das mudanças que ele conseguiu com seu próprio esforço.
“Em 1973, não havia nada aqui, como você pode ver. Tudo era pastagem. Minha casa é a mais bonita de toda essa região, mas hoje não se pode tirar uma foto desse ângulo porque as árvores a encobrem, porque estão muito grandes”, brinca Vicente.
Vida de volta
Com o replantio, muitos animais reapareceram.
“Há tucanos, todo tipo de aves, pacas, esquilos, lagartos, gambás e, inclusive, javalis”, enumera.
“Temos também uma onça pequena e uma jaguatirica, que come todas as galinhas”, ri.
O mais importante, contudo, é que os cursos de água também voltaram a brotar.
Outra realidade
Durante os últimos 30 anos, cerca de 183 mil hectares de mata atlântica no Estado de São Paulo foram desflorestados para dar lugar à agricultura.
Segundo a Fundação Mata Atlântica SOS e o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), a mata atlântica cobria originalmente 69% do Estado de São Paulo.
Hoje, a proporção caiu para 14%.
Entre agosto de 2015 e julho de 2016 foram destruídos 8 mil hectares de floresta – uma alta de 29% em relação ao ano anterior e o nível mais elevado desde 2008, segundo dados do Inpe.
Com informações da BBC

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