Deu certo! “Esfihaço” em apoio a sírio agredido lotou esquina do Rio

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Foto: reprodução / G1 - Matheus Rodrigues|
Foto: reprodução / G1 - Matheus Rodrigues|

Cariocas deram uma lição de humanidade e solidariedade neste sábado. Foi um sucesso o “esfihaço””promovido para ajudar um refugiado sírio hostilizado por ambulantes no Rio de Janeiro e não reagiu às provocações.

Uma longa fila se formou neste sábado, 12, nas ruas de Copacabana em torno de um carrinho de salgados árabes de Mohamed Ali.

Todos foram dar apoio ao refugiado sírio. Entre fotos e entrevistas, Mohamed não sabia definir o que estava sentindo.

O “esfihaço” foi promovido por um empresário que ficou chocado com a intolerância e abriu uma vaquinha on line para comprar um food truck para o amigo, como o SóNotíciaBoa mostrou na semana passada.

Guilherme Benedictis criou o evento “Comer esfiha na barraca do Mohamed” em uma rede social. 11 mil pessoas confirmaram presença, as outras 33 mil se interessaram.

História

Os insultos aconteceram na semana passada e foram registrados por quem passava. As imagens rapidamente se espalharam pelas redes sociais.

Mohamed Ali foi agredido verbalmente depois de ter o carrinho empurrado pelos agressores. Algumas mercadorias caíram no chão.

O ambulante que aparece no vídeo com dois pedaços de madeira na mão fala para Mohamed voltar para o país dele, sair do Brasil, e o ofende.

“Sai do meu país! Eu sou brasileiro e estou vendo meu país ser invadido por esses homens-bomba miseráveis que mataram crianças, adolescentes. São miseráveis. Vamos expulsar ele!”, disse.

Mohamed não postou o vídeo e não foi à polícia. “Eu não quero problemas, só quero trabalhar. Eu não quero problema para ninguém”, disse Mohamed Ali.

A virada

Mas quem queria prejudicar, acabou sem querer ajudando Mohamed. Além do sucesso do “esfihaço” deste sábado, na quinta-feira, 10, o estrangeiro recebeu das mãos do prefeito Marcelo Crivella uma licença para trabalhar em Copacabana.

Mohamed tem 33 anos, é filho de pai sírio e mãe egípcia, nasceu na Síria e foi criado no Egito, de onde saiu há três anos.

Diz que no Brasil as pessoas respeitam a religião do outro, e ele pode viver “em paz”.

Mesmo após a agressão, ele defende o país. “Eu amo o Brasil”.

O sírio é casado com uma brasileira e tem um filho. Ele fugiu da guerra no Oriente Médio e não quer mais conflitos por aqui. “Eu fui para a guerra lá, cheguei aqui e não quero guerra aqui.”

Foto: reprodução - Matheus Rodrigues/G1
Foto: reprodução – Matheus Rodrigues/G1

Com informações do G1