Mulheres são guerreiras desde o século X, confirma DNA de viking

Uma descoberta feita por pesquisadores das universidades de Uppsala e de Estocolmo mostra que a existência de mulheres guerreiras nas história da humanidade é muito mais antiga do que se imaginava.
Um corpo, encontrado há mais de 100 anos, era tido até agora pelos cientistas como se tratando de um homem de 1,70m de altura. Mas com estudos baseados em uma nova análise de DNA, eles descobriram que era uma mulher, uma guerreira de cerca de 30 anos.
Em estudo foi publicado no periódico American Journal of Physical Anthropology.
A descoberta
Os pesquisadores da Suécia encontraram um túmulo datado do século X, que seria de um misterioso guerreiro viking.
Demonstrava ser um líder pelos objetos encontrados juntos a sua ossada, como um machado, espada, lança, flechas de armadura, faca de batalha, um par de escudos, peças para um jogo de guerra e os ossos de uma égua e um garanhão.
Mas agora descobriram que o guerreiro era uma mulher.
Várias fontes históricas citam que as mulheres participavam ativamente em campos de batalhas nestas comunidades escandinavas, mas de acordo com o pesquisador Neil Price, da Universidade de Uppsala, “esta é a primeira vez que descobrimos evidências arqueológicas convincentes de sua existência”.
A pesquisadora Charlotte Hedenstierna-Jonson, da Universidade de Estocolmo afirma que “O conjunto de evidências indica que ela era uma oficial, alguém que trabalhou com táticas e estratégias e poderia liderar tropas na batalha”.
Tais descobertas fazem com que histórias encontradas, ou relatadas em filmes e séries, como a personagem Lagertha, interpretada pela atriz Katheryn Winnick, da série Vikings, não sejam mais consideradas apenas um mito, mas sim algo que pode ter acontecido àquela época, dando o devido reconhecimento à grandes líderes do sexo feminino na história da humanidade.
O professor de História Rafael Resende, de Brasília, ressalta a importância da descoberta mas lembra que mulher em cargo de liderança não é nenhuma novidade, já que contamos com grandes personagens femininas em nossa história.
“Como Cleópatra, que comandou o antigo Egito no século I a.C. e se envolveu em romances com Júlio César e Marco Antônio, Hipácia uma matemática, astrônoma e uma das mais importantes pensadoras da Antiguidade que viveu no século IV d.C. ou até mesmo Joana d’Arc que comandou um exército que contava com cerca de 7 mil homens no século XV. Tudo bem que Joana d’Arc teve que se caracterizar como homem para poder liderar, mas é uma figura feminina de importância inquestionável na história”, lembra o professor.

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