Colônia de férias inclusiva anima crianças com necessidades especiais

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Colônia inclusiva - Fotos: arquivo pessoal / divulgação autorizada||Foto: divulgação/ reprodução autorizada
Colônia inclusiva - Fotos: arquivo pessoal / divulgação autorizada||Foto: divulgação/ reprodução autorizada

Crianças com necessidades especiais já podem se divertir nas férias, como qualquer outro aluno.

Duas professoras do Distrito Federal criaram uma colônia de férias inclusiva, para entreter crianças neste período sem aulas.

“São alunos com autismo, deficiência intelectual, surdos, cegos, hiperativos e, também, crianças sem qualquer nenhum desses diagnósticos”, disse ao SóNotíciaBoa Vanessa Fonseca, uma das professoras e criadoras do projeto.

A novidade foi um alívio para Valéria Menezes, mãe de Marcel um rapaz com 17 anos que é deficiente visual e autista. (foto acima)

“Foi a primeira vez que consegui colocá-lo em uma colônia de férias. Sempre senti vontade, mas como ele é deficiente visual e autista, nunca era tão simples. Não tinham estrutura. Se eu quisesse, precisava pagar um acompanhante só pra ele”, afirmou Valéria ao SNB.

Ela conta que quando não conseguia tirar férias no trabalho, junto com as férias do filho, precisava pedir para outras pessoas cuidarem dele e depois ainda voltava correndo do emprego para ficar com Marcel.

“Para nossos filhos que são especiais, as férias são uma “quebra de rotina”, digamos assim. Eles não compreendem as férias como os outros. Eles estão totalmente adaptados à escola. Sem ela, podem sentir ansiedade, ficar irritados, nervosos, atrapalha o sono… eles têm muita energia e precisam de atividades”.

Diferencial

Valéria viu na colônia inclusiva um diferencial importante. A professora do Marcel é justamente quem cuida dele nas atividades.

“Antes me preocupei em como ele iria, porque como não enxerga, como vai se locomover, higiene e etc? Quem vai apoiá-lo lá? Então as criadoras da colônia resolveram que a Djanira, que já era professora dele, já o conhecia, iria, além da coordenação, ser o apoio dele durante o período na colônia”, explica Valéria.

“Fiquei emocionada e tão animada! Elas se preocupam com os tipos de passeio, se ele vai poder sentir, tocar, já que não enxerga, se vai se sentir bem, se tem brincadeiras que ele possa se divertir, ele experimenta de tudo!”, conta.

Marcel e a professora Djanira - Foto: arquivo pessoal / reprodução autorizada
Marcel e a professora Djanira – Foto: arquivo pessoal / reprodução autorizada

História

As professoras Vanessa e Djanira Montalvão, criadoras da colônia de férias inclusiva, trabalham há 18 anos no ensino especial da rede pública do Distrito Federal.

Elas abriram o serviço este ano e estão atualmente com 15 alunos.

A programação tem passeios em que as crianças brincam, se divertem e aprendem a se relacionar com as outras, sempre monitoradas por professores, psicopedagogo e psicólogo.

“Elas se socializam, brincam, lancham coletivamente, exploram ambientes juntas, se ajudam, aprendem limites, se misturam sem medos e preconceitos”, diz a professora Vanessa.

“Promovemos uma colônia de férias inclusiva. Acreditamos que toda pessoa tem o direito e pode ser incluída, independentemente de suas diferenças e que a convivência com o diferente construirá seres humanos melhores”, disse Vanessa Fonseca, em entrevista ao SóNotíciaBoa.

As professoras sonhavam há anos em montar um instituto renovador para romper os limites impostos às pessoas com necessidades especiais.

E o resultado deu certo.

“Estamos percebendo que as crianças se sentem acolhidas, aceitas e, o mais importante, iguais às outras que as envolvem, a felicidade está evidente em cada momento de diversão junto a todos. É notório se verificar as igualdades entre elas, as crianças, sem descontextualizar a proposta sonhada”, comemora.

A mãe de Marcel concorda:

“Só quem tem filho especial e que trabalha a cada dia para que tenham oportunidades, é que sabe o valor de programas assim. É muito gratificante saber que meu filho tem também oportunidades como qualquer pessoa, porque ele é capaz, esperto e também merece se divertir e passear, porque ele faz parte da sociedade”, lembra Valéria.

Foto: divulgação/ reprodução autorizada
Foto: divulgação/ reprodução autorizada

A colônia

A colônia de férias inclusiva começou este mês e termina esta semana.

Vai até sexta-feira, dia 19.

Mas quando terminar, as duas professoras vão inaugurar – a partir de março – o Instituto IMPA – Instituto Multidisciplinar psicopedagógico alternativo.

“Teremos todos os atendimentos necessários para uma melhor qualidade de vida, visando sempre à integração das pessoas especiais em todos os campos: social, cultural e educacional”, conta.

O instituto ficará em Vicente Pires – cidade a 30 km de Brasilia.

Serviço
IMPA – Instituto Multidisciplinar Psicopedagógico Alternativo
Rua 01, chácara 10 casa 14 A – Vicente Pires / Distrito Federal
Página no Facebook
E-mail: institutoimpa1@gmail.com
Fones: 61 – 3797-9231 e 61-99693-8497 –
Preços: Pacote R$ 370/semana ou R$ 100/dia

Por Rinaldo de Oliveira, da redação do SóNotíciaBoa