Implante no cérebro ajuda a melhorar a memória humana

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Ressonância magnética de cérebro epiléptico
Ressonância magnética de cérebro epiléptico

Chega de esquecimento! Cientistas norte-americanos desenvolveram um implante cerebral que aumentou a memória dos voluntários nos primeiros testes, uma nova estratégia promissora para tratar demência, lesões cerebrais traumáticas e outras condições que prejudicam a memória.

O dispositivo envia pulsos elétricos para auxiliar o cérebro quando ele está lutando na tentativa de armazenar novas informações, mas deixa de agir quando percebe que o cérebro está funcionando bem.

No teste, divulgado este mês pela revista Nature, o dispositivo ajudou os voluntários a recordarem palavras. Em média, a lembrança das pessoas melhorou cerca de 15%, após a ligação do implante.

A pesquisa marca a chegada de um novo tipo de dispositivo: uma ajuda autônoma que melhora a função cognitiva normal, mas menos do que ideal.

Os médicos usaram implantes similares há anos para bloquear atividades anormais no cérebro, mais comumente em pessoas com doença de Parkinson e epilepsia.

“A coisa emocionante sobre isso é que, se pode ser replicada e estendida, podemos usar o mesmo método para descobrir quais características da atividade do cérebro prevêem um bom desempenho”, disse Bradley Voytek, professor assistente de ciência cognitiva e de dados na Universidade da Califórnia, San Diego.

O implante baseia-se em anos de trabalho decodificando sinais cerebrais, com apoio de mais de US $ 70 milhões do Departamento de Defesa dos EUA para desenvolver tratamentos para lesões traumáticas do cérebro, a ferida das guerras no Iraque e no Afeganistão.

A equipe de pesquisa, liderada por cientistas da Universidade da Pensilvânia e da Universidade Thomas Jefferson, informou no ano passado que os pulsos elétricos cronometrados dos eletrodos implantados poderiam “ajudar a recordar”.

“Uma coisa é ter de volta os seus dados e descobrir que o estímulo funciona. A outra é ter o programa executado sozinho e assisti-lo funcionar em tempo real “, disse Michael Kahana, professor de psicologia da Universidade da Pensilvânia e autor principal do novo estudo.

“Agora que a tecnologia está fora da caixa, todos os tipos de algoritmos de neuro-modulação podem ser usados dessa maneira”, acrescentou.

Como

A equipe de pesquisa testou esse “auxílio de memória” em 25 pessoas com epilepsia, que estavam sendo avaliadas para uma operação.

Os médicos implantaram uma série de eletrodos nas áreas de memória do cérebro.

Cientistas cognitivos usaram o período que os pacientes estavam no hospital, com o consentimento deles, para fazer testes de memória e gravações.

No estudo, a equipe de pesquisa determinou os padrões precisos para o estado de alto funcionamento cerebral de cada pessoa, quando o armazenamento de memória funcionou bem e ainda o modo de baixo funcionamento, quando não.

Eles, então, pediram aos pacientes que memorizassem listas de palavras e depois, após uma distração, lembrassem o quanto pudessem delas.

Cada participante realizou diversos testes repetidamente, tendo que lembrar de diferentes palavras durante a avaliação.

Algumas listas foram memorizadas com o sistema de estimulação cerebral ativado; outras foram feitas com os eletrodos desligados, para comparação.

Em média, as pessoas melhoraram cerca de 15% quando o implante foi ligado.

Futuro

A pesquisa marca a chegada de um novo tipo de dispositivo para melhorar a função cognitiva.

E, apesar de ainda ser experimental, os pesquisadores atualmente debatem sobre como comercializar a tecnologia, visto que sua aplicabilidade ainda é desconhecida, já que até o momento só foi testada em pessoas com epilepsia.

O implante exige que vários eletrodos sejam colocados no cérebro para determinar seu estado de alto ou baixo funcionamento (embora a estimulação seja enviada para apenas um local).

Isso faz com que seja uma operação extremamente delicada que, provavelmente, seria reservada apenas para casos severos de deficiência – e certamente não para alunos envolvidos em testes.

“A tendência é tentar encontrar outras formas menos invasivas para mudar o cérebro desses estados de funcionamento”, explicou o professor Bradley Voytek.

Com informações do NYT e VivaBem