Heroína da tragédia em Mariana é homenageada em livro de Cristina Serra

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Tragédia em Mariana / Cristina Serra - Fotos: divulgação||
Tragédia em Mariana / Cristina Serra - Fotos: divulgação||

A mulher responsável por dar o alerta aos moradores de Mariana, em Minas Gerais e avisar que o mar de lama tóxica e a tragédia estavam a caminho, teve sua bravura reconhecida e imortalizada.

A auxiliar de serviços gerais Paula Geralda Alves é uma das personagens do livro “Tragédia em Mariana”, escrito pela jornalista Cristina Serra, que na época cobriu o maior desastre ambiental da história do Brasil para o Fantástico, da TV Globo.

“A Samarco não tinha sirene de alertas para emergências nos povoados próximos à barragem – não era obrigatório por lei. Agora é –  Paula foi a sirene que não tocou. Paula, sem dúvida, é a grande heroína dessa história”, contou Cristina Serra em entrevista ao SóNotíciaBoa.

No livro a jornalista conta que “Paula Geralda Alves ouviu pelo rádio comunicador de uma caminhonete a informação entrecortada “a barragem rompeu”.

Naquele instante Paula pensou mais nos outros do que no perigo que estava correndo… e agiu.

“Ela não pensou duas vezes: correu para a sua moto do tipo scooter e, apesar dos apelos dos colegas de trabalho para que ficasse, acelerou o máximo que pôde na direção de Bento Rodrigues, vilarejo de pouco mais de 600 habitantes, onde morava com seus pais e o filho de cinco anos”, diz o livro.

Com a atitude destemida, ela evitou dezenas de mortes.

“Além de salvar sua família, Paula alertou amigos e vizinhos. Eles conseguiram correr para as partes mais altas do vale para se proteger do mar de lama tóxica que varreu o povoado de mais de trezentos anos do mapa. Se não fosse pelo ato heroico, talvez o saldo de vidas humanas perdidas na maior tragédia ambiental de todos os tempos pudesse superar a casa da centena”, conta Cristina.

Paula Geralda Alves - Foto: arquivo pessoal
Paula Geralda Alves – Foto: arquivo pessoal

Casa nova

Hoje Paula, aos 37 anos, trabalha como cabeleireira e atende a domicílio. Ela contou em entrevista ao SóNotíciaBoa que está lendo o livro de Cristina Serra e se sente “lisonjeada, muito feliz por estar no livro”.

A mãe-solo e o filho João Pedro, de 8 anos, ainda aguardam a casa nova, que está sendo construída pela Samarco.

“Nossa vontade é voltar pra nossa casa. Eles dizem que ficará pronta em 2020”, disse.

A casa ficará no Novo Bento, bairro que vai ficar longe da barragem e perto de Mariana.

“Aí a gente não vai mais correr risco da barragem”, concluiu.

Paula, João Pedro na moto - Foto: reprodução / Raoni Maddalena
Paula, João Pedro na moto – Foto: reprodução / Raoni Maddalena

História

O rompimento da barragem de Fundão, localizada no subdistrito de Bento Rodrigues, a 35 km de Mariana completou três anos no último dia 5 de novembro.

De lá saiu um verdadeiro mar de lama tóxica que contaminou 663 quilômetros do Rio Doce e seus afluentes e chegou ao mar, no município de Linhares, no Espírito Santo, em menos de cinco dias.

Pelo menos 26 cidades de Minas Gerais e quatro no Espírito Santo foram atingidas com rejeitos da barragem de mineração controlada pela Samarco – um empreendimento da brasileira Vale S.A. e da anglo-australiana BHP Billiton.

Dezenove pessoas morreram.

Lançamento

O lançamento do livro Tragédia em Mariana – A história do maior desastre ambiental do Brasil (Editora Record) será no próximo dia 22, quinta-feira, em Brasília.

A jornalista Cristina Serra estará na Livraria Leitura, no Shopping Pier 21 – SCES – para conversar com o público. O encontro será a partir das 19h.

No livro, Cristina Serra conta mais do que a história da heroína Paula.

Ela revisita o desastre ambiental, denuncia o descaso das autoridades e alerta para “a possiblidade de outras catástrofes como a que afetou o Rio Doce possam acontecer novamente, afinal, ao contrário do que se poderia esperar, o licenciamento ambiental se tornou ainda mais flexível”.

Por Rinaldo de Oliveira, da redação do SóNotíciaBoa

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